O governo Lula anunciou nesta quarta-feira (29) a liberação de até R$ 4,5 bilhões do FGTS para que trabalhadores quitem dívidas. A informação foi confirmada pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho: cada trabalhador poderá usar até 20% do saldo disponível no fundo.
A medida é voltada a quem recebe até cinco salários mínimos — cerca de R$ 8 mil mensais — e integra um pacote mais amplo de combate ao endividamento das famílias, com anúncio oficial previsto para o pronunciamento de Lula na véspera do Dia do Trabalhador.
O mecanismo do programa é direto: após o trabalhador renegociar a dívida com o banco credor e autorizar o repasse, a Caixa Econômica Federal transfere os recursos do FGTS diretamente à instituição financeira — sem que o dinheiro transite nas mãos do devedor.
Para tornar as condições de renegociação atrativas, o governo pretende acionar um fundo com recursos públicos como garantia às instituições financeiras. Na prática, a União arcaria com eventuais calotes dos renegociadores, reduzindo o risco para os bancos e, em tese, abrindo espaço para juros menores nas operações.
Na véspera, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia confirmado a inclusão do FGTS no programa e prometido o anúncio para esta semana — após superar entraves jurídicos que tinham travado o plano semanas antes.
O valor de R$ 4,5 bilhões anunciado hoje é consideravelmente menor do que os R$ 17 bilhões estudados pelo Ministério do Trabalho no início de abril, quando o plano ainda previa duas frentes distintas de liberação do fundo.
Anúncio no Dia do Trabalhador e componente eleitoral
Integrantes do Executivo trabalham nos ajustes finais do programa. Lula deve mencioná-lo em pronunciamento na quinta-feira (30), véspera do 1º de Maio. O detalhamento completo, porém, só deve ocorrer na segunda-feira (4) de maio — ou ainda depois, dependendo do alinhamento entre bancos e órgãos públicos.
O pacote contra o endividamento foi definido como prioridade do governo para o primeiro semestre, logo após as medidas adotadas para conter os efeitos da guerra no Oriente Médio na economia brasileira. O presidente Lula havia pedido pessoalmente ao ministro da Fazenda que levantasse alternativas para o refinanciamento das dívidas dos brasileiros.
A iniciativa carrega um componente eleitoral evidente. Lula atravessa uma fase de aprovação baixa e não quer chegar à campanha de 2026 com famílias reclamando que o orçamento doméstico não fecha. Combater o endividamento é, ao mesmo tempo, agenda econômica e estratégia política.
O FGTS entra como peça de um pacote mais ambicioso: o governo estuda reunir cartão de crédito, crédito pessoal e outras dívidas em um único contrato, com desconto que pode chegar a 80% para quem ganha até três salários mínimos.
