Jerome Powell surpreendeu ao anunciar nesta quarta-feira (29) que permanecerá como diretor do Federal Reserve mesmo após o fim de seu mandato à frente da instituição, previsto para 15 de maio.
O anúncio foi feito em coletiva de imprensa logo após a última reunião de política monetária presidida por Powell, que decidiu manter os juros americanos inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
A decisão foge ao padrão histórico: é praxe que presidentes do Fed deixem também o cargo de diretor ao encerrar o mandato na presidência.
Powell está há oito anos à frente do Federal Reserve. Com a saída da presidência, a expectativa é que o economista Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump, assuma o comando do banco central já na reunião de junho, marcada para os dias 16 e 17.
O nome de Warsh foi aprovado por um comitê do Senado nesta mesma quarta-feira, antes de seguir para votação no plenário. Kevin Warsh já havia sinalizado, em audiência anterior, que a independência do banco central não se estenderia a todas as suas funções — declaração que acendeu debate sobre os rumos da política monetária americana sob nova liderança.
A permanência de Powell como diretor é possível porque seu mandato na diretoria do Fed vai até 2028 — o que significa que ele pode seguir na instituição durante todo o restante do governo Trump. A decisão representa uma ruptura com a cultura interna do banco, onde presidentes costumam deixar a diretoria junto com a presidência.
Tensão com Trump como pano de fundo
A decisão de Powell de permanecer no Fed acontece em meio a uma relação historicamente turbulenta com o presidente dos Estados Unidos. Ao longo dos últimos anos, Trump elevou sistematicamente o tom das críticas ao economista, com xingamentos públicos como “mula”, “cabeça oca” e “estúpido”.
A permanência de Powell como diretor mantém sua influência institucional no Fed mesmo após ceder a presidência a Warsh. A postura pode ser lida como um sinal de resistência à pressão política que marcou os últimos anos de sua gestão — e coloca em aberto como será a dinâmica entre o novo presidente do banco e um ex-presidente que permanece na mesa de decisões.
A transição de liderança no Fed chega em um momento delicado para a economia americana, com juros elevados, petróleo em alta e incertezas sobre o ritmo de desinflação. O mercado financeiro global observa de perto cada movimento da instituição, cujas decisões reverberam diretamente em moedas, bolsas e fluxo de capitais ao redor do mundo — inclusive no Brasil.
