O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou nesta segunda-feira (27) que o governo federal vai incorporar recursos do FGTS a um programa de combate ao endividamento voltado a trabalhadores de baixa renda.
A declaração veio após reunião de Durigan com representantes do setor financeiro. O ministro leva as propostas ao presidente Lula nesta terça-feira (28), com previsão de anúncio oficial ainda esta semana.
O programa deve atender brasileiros com renda de até cinco salários mínimos — faixa que concentra boa parte do endividamento familiar no país.
FGTS volta à mesa após impasse jurídico
A retomada do fundo não era garantida. O governo chegou a estudar liberar até R$ 17 bilhões do FGTS em duas frentes distintas — uma para trabalhadores de menor renda e outra para quem aderiu ao saque-aniversário —, mas as dificuldades jurídicas da operação travaram o plano antes de qualquer anúncio. Agora, com as negociações retomadas, Durigan sinalizou que as barreiras foram ao menos parcialmente superadas, embora os detalhes técnicos ainda não tenham sido divulgados.
O programa ao qual o FGTS agora se soma prevê reunir todas as dívidas de pessoas físicas em um único contrato, com juros reduzidos e desconto que pode chegar a 80% para quem ganha até três salários mínimos. A cesta de medidas é desenhada para diminuir o comprometimento da renda familiar de forma estruturada.
O Ministério da Fazenda conduz as tratativas diretamente com os bancos brasileiros para definir as condições do programa. O público-alvo são trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos — universo que inclui a maioria dos empregados com carteira assinada.
Urgência eleitoral impõe ritmo às negociações da Fazenda
A medida integra um esforço maior do governo para aliviar o orçamento das famílias em ano eleitoral. Com Lula candidato à reeleição em 2026, a redução do endividamento de trabalhadores de baixa renda se tornou prioridade tanto política quanto econômica.
As negociações entre a Fazenda e o setor financeiro seguem em curso. Conforme o ministro, o anúncio deve ocorrer antes do fim da semana, após a apresentação formal da proposta ao presidente.
