A Embraer encerrou o primeiro trimestre de 2026 com uma carteira de pedidos de US$ 32,1 bilhões — equivalente a R$ 159,9 bilhões —, batendo seu próprio recorde pela sexta vez consecutiva.
O balanço foi divulgado nesta segunda-feira (27) pela fabricante aeronáutica, sediada em São José dos Campos, interior de São Paulo.
Na comparação anual, a carteira consolidada cresceu 21,6%, impulsionada sobretudo pelo segmento de aviação comercial, que avançou 50% e chegou a US$ 15 bilhões.
Aviação comercial lidera a expansão
O segmento comercial foi o principal motor do crescimento, saltando para US$ 15 bilhões no primeiro trimestre — alta de 50% sobre o mesmo período de 2025. O resultado reflete a demanda global por aeronaves de médio porte, nicho em que a Embraer disputa contratos com companhias regionais e de baixo custo na América do Norte, Europa e Ásia.
Na aviação executiva, foram entregues 29 aeronaves no trimestre: 15 jatos Phenom 300, nove Praetor 500, quatro Praetor 600 e um Phenom 100. A aviação comercial registrou dez entregas — seis E175, três E195-E2 e uma E190-E2.
A Defesa & Segurança completou cinco entregas no período, entre elas quatro aeronaves A-29 Super Tucano e um KC-390 Millennium, o cargueiro tático desenvolvido em parceria com Portugal.
O desempenho da carteira acompanha um trimestre igualmente forte em volume real: a Embraer havia encerrado o período com 44 aeronaves entregues — alta de 47% sobre o primeiro trimestre de 2025 —, com destaque para a retomada das entregas militares.
O crescimento consecutivo da carteira posiciona a Embraer como um dos casos mais consistentes de expansão industrial do Brasil nos últimos anos, em setor de alta complexidade tecnológica e elevadas barreiras de entrada.
O contexto de investimento também favorece a trajetória: a fabricante recebeu R$ 279 milhões do BNDES para pesquisa e inovação — aposta de longo prazo na competitividade da empresa no mercado global, com foco em novas tecnologias de propulsão e aviação sustentável.
Tendência estrutural, não pontual
A sequência de seis recordes consecutivos de carteira indica que a demanda por produtos da Embraer não é um fenômeno isolado. Ao encerrar 2025 já com recorde registrado, a empresa entrou em 2026 com pedidos acumulados que reforçam a visibilidade de receita para os próximos anos.
A procura por aeronaves de menor porte segue aquecida no pós-pandemia, com companhias renovando frotas envelhecidas e expandindo rotas regionais — dinâmica que favorece diretamente o portfólio da fabricante brasileira e consolida sua relevância nas exportações do país.