A Embraer registrou receita recorde de R$ 11,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, informou a fabricante brasileira nesta segunda-feira (10). O valor representa alta de 10% frente ao mesmo período do ano passado.
De abril a junho, a empresa sediada em São José dos Campos (SP) entregou 65 aviões, o melhor desempenho da companhia para o trimestre em 16 anos.
O resultado veio acompanhado de uma carteira de pedidos recorde de US$ 34,5 bilhões, alta de 16% sobre o mesmo intervalo de 2025 — o sétimo recorde consecutivo nesse indicador, que reúne aeronaves já vendidas mas ainda não entregues.
Aviação executiva puxa o crescimento
Das 65 aeronaves entregues no trimestre, 45 foram jatos executivos, cerca de 69% do total. O segmento faturou R$ 3,7 bilhões, 19% a mais que um ano antes, e segue como o principal motor da companhia.
A divisão de Defesa e Segurança cresceu 22%, para R$ 1,5 bilhão, impulsionada pela produção do KC-390 Millennium. Serviços e Suporte somou R$ 2,9 bilhões, alta de 11%.
Já a aviação comercial recuou 2%, para R$ 3,2 bilhões — a única área em queda no período. Segundo a Embraer, a valorização do real frente ao dólar pressionou o resultado da divisão.
No acumulado do primeiro semestre, a fabricante entregou 109 aeronaves, ante 91 no mesmo intervalo de 2025, um avanço de aproximadamente 20%.
Acordos fechados em julho sustentam a carteira
Parte do salto na carteira de pedidos vem de negócios fechados durante o Farnborough International Airshow, na Inglaterra. O grupo Abra, dono de Avianca e Gol, assinou a compra de 20 E195-E2, com opções que podem elevar o pedido a até 45 aeronaves. A Azorra, por sua vez, fechou acordo para até 30 E-Freighters, versão de carga da família E-Jets.
Na área de defesa, Embraer e Saab avançam em um acordo para produzir 20 caças Gripen no complexo de Gavião Peixoto, interior de São Paulo. A empresa também recebeu novos pedidos de aeronaves E2 da Binter e da Luxair durante o evento no Reino Unido.
O trimestre positivo contrasta com o histórico recente da companhia: no segundo trimestre de 2025, a Embraer teve prejuízo líquido de R$ 53,4 milhões mesmo com receita recorde de R$ 10,3 bilhões na época. Já no trimestre anterior, a receita recorde de R$ 7,6 bilhões veio acompanhada de queda no lucro por causa das tarifas dos EUA, pressão que não se repetiu agora. A sequência de recordes na carteira de pedidos também vem de longe: no primeiro trimestre, o indicador já havia batido recorde ao chegar a US$ 32,1 bilhões.