A Embraer registrou sua maior receita histórica para um primeiro trimestre. A fabricante de aeronaves de São José dos Campos (SP) faturou R$ 7,6 bilhões entre janeiro e março de 2026 — alta de 18% sobre o mesmo período do ano anterior.
Em dólares, o avanço foi ainda maior: US$ 1,4 bilhão no período, crescimento de 31% na comparação anual, diferença amplificada pela variação cambial.
O lucro líquido, porém, recuou. A empresa registrou R$ 145,4 milhões no trimestre, contra R$ 299,9 milhões em igual período de 2025 — resultado pressionado pelas tarifas de importação dos EUA, que custaram US$ 13 milhões à fabricante.
O desempenho operacional acompanhou o ritmo financeiro. A Embraer entregou 44 aeronaves no primeiro trimestre de 2026, 14 a mais do que no mesmo período do ano passado — expansão de 47% nas entregas. Os segmentos de Defesa & Segurança e Aviação Comercial foram apontados como os principais motores de receita.
Carteira atinge sexto recorde histórico consecutivo
A carteira de pedidos consolidada cresceu 21,6% e atingiu US$ 32,1 bilhões. O recorde de carteira já havia sido antecipado no fim de abril, quando a Embraer revelou que a aviação comercial atingiu US$ 15 bilhões em encomendas — alta de 50% sobre o ano anterior. É o sexto recorde histórico seguido da fabricante.
A empresa reportou investimentos de US$ 98,8 milhões entre janeiro e março. Somando os aportes na Eve, subsidiária voltada à mobilidade aérea urbana e ao desenvolvimento do carro voador, o total investido no trimestre chegou a US$ 148,6 milhões.
Para 2026, a Embraer manteve as projeções divulgadas anteriormente. A expectativa é entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais e entre 160 e 170 jatos executivos ao longo do ano.
O ciclo de expansão da fabricante conta ainda com reforço público. Em abril, o BNDES aprovou R$ 279 milhões para projetos de pesquisa e desenvolvimento da Embraer — aposta de longo prazo na competitividade da aviação nacional.
O impacto de US$ 13 milhões em tarifas americanas no trimestre sinaliza um risco a monitorar ao longo do ano, especialmente dado o peso das exportações no modelo de negócios da fabricante. A diferença entre a variação em reais (18%) e em dólares (31%) também reflete a desvalorização cambial do período.