Economia

TRF-2 derruba liminar e reativa imposto de 12% sobre exportação de petróleo

Tribunal acolheu recurso da PGFN, que apontou citação de artigo inexistente na decisão que beneficiava cinco petroleiras estrangeiras
Barris de petróleo bruto representando o imposto de exportação reativado pelo TRF-2

O presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) suspendeu, nesta sexta-feira (17), a liminar que impedia a cobrança do imposto de exportação de petróleo bruto sobre cinco grandes petroleiras estrangeiras que operam no Brasil.

O desembargador Luiz Paulo da Silva Araújo Filho acolheu recurso da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que apontou falha grave na decisão original: o juiz de primeiro grau havia fundamentado a liminar em um trecho de medida provisória que simplesmente não existe na legislação vigente.

Decisão fundada em norma que não existe

A alíquota de 12% sobre exportações de petróleo bruto foi criada por medida provisória do governo Lula como contrapartida ao subsídio de R$ 1,20 por litro concedido ao diesel — uma resposta à disparada dos preços internacionais provocada pelo conflito no Oriente Médio. As empresas diretamente atingidas são TotalEnergies, Repsol Sinopec, Petrogal (da Galp), Shell e Equinor.

A liminar derrubada havia sido concedida pelo juiz federal Humberto de Vasconcelos Sampaio, da 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que apontou possível inconstitucionalidade no tributo e alegou ‘desvio de finalidade’, ao afirmar que o próprio governo reconhecia o caráter arrecadatório da medida. O problema: o magistrado fundamentou sua decisão em parágrafos de uma MP que não constam da legislação vigente.

Ao ser confrontado com o equívoco, Sampaio admitiu ter levado em conta ‘três parágrafos que não integram o texto da referida medida provisória’ — mas manteve a liminar, entendendo que as conclusões não teriam sido afetadas pelo erro. A PGFN recorreu, e o presidente do TRF-2 concordou que a falha compromete a base jurídica da decisão, caracterizando uma ‘fragilidade jurídica’ na concessão da medida.

A disputa judicial teve início em 8 de abril, quando a Justiça Federal do Rio concedeu a primeira liminar suspendendo a cobrança, com o juiz alegando possível inconstitucionalidade e desvio de finalidade no tributo. Uma semana depois, a desembargadora Carmen Sílvia Lima de Arruda havia mantido a suspensão, concluindo que o governo não demonstrou risco concreto — posição que o presidente do TRF-2 agora reverte ao acolher integralmente o recurso da PGFN.

Suspeitas, Petrobras e próximos passos

Nos bastidores, integrantes do governo chegaram a suspeitar que o erro teria sido causado pela anexação de uma versão modificada da MP pelas petroleiras ao processo. A petição inicial das empresas, porém, não menciona os trechos utilizados pelo magistrado como fundamento — o que afasta, por ora, essa hipótese.

A Petrobras, maior exportadora de petróleo do Brasil, não é afetada pela disputa: a estatal não integra o grupo que contestou o imposto na Justiça, e a eventual isenção das demais representaria um rombo nas contas do governo, que pretendia usar a arrecadação para cobrir as perdas com os cortes de tributos sobre combustíveis.

O setor privado tem pressionado contra o tributo. O Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP) alertou que a cobrança pode se tornar obstáculo a novos investimentos no país, enquanto executivos das grandes petroleiras cobram maior previsibilidade regulatória. Em sentido oposto, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu o imposto como medida excepcional, afirmando que as empresas ‘podem pagar um pouco mais’ para ajudar a subsidiar o combustível.

O caso ainda será analisado por um órgão colegiado do TRF-2. O imposto de exportação integra o mesmo pacote fiscal que inclui a proposta de zerar o ICMS sobre o diesel importado — medida com custo estimado em R$ 3 bilhões mensais para a União e os estados.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Irã rejeita transferência de urânio enriquecido e contradiz Trump

Durigan admite transição na escala 6×1, mas barra custo para o Tesouro

Governo abre para transição no fim da 6×1, mas descarta desoneração

STF forma maioria e mantém cassação do mandato de Bacellar