Política

Ala Maga avança contra o Brasil em frente que governo Lula não sabe rebater

Visita a Bolsonaro e classificação de PCC como terrorista deixam Itamaraty na defensiva

O governo Lula reconhece que enfrenta uma nova rodada de pressões americanas sem resposta pronta. Ao contrário do tarifaço, que rendeu dividendos políticos, as novas investidas da equipe de Trump tocam em pontos sensíveis da agenda interna.

A tentativa de enviar o assessor Darren Beattie para visitar Jair Bolsonaro na prisão e a pressão para classificar PCC e Comando Vermelho como terroristas colocam o Itamaraty na defensiva — e assessores de Lula admitem que rebater essas pautas é “nada fácil”.

O Itamaraty classificou o pedido de visita a Bolsonaro como ingerência em assuntos internos, mas a questão do crime organizado é mais espinhosa politicamente.

O dilema dos assessores de Lula é claro: explicar a uma população que coloca segurança pública no topo das prioridades que classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas seria prejudicial para o Brasil é uma tarefa politicamente arriscada.

A pressão vem de dentro do Maga

A ofensiva parte de bolsonaristas com acesso direto à Casa Branca, que usam a ala radical do Maga e o Departamento de Estado — com Darren Beattie como peça central para emplacar a pauta dentro do governo americano.

A medida preocupa o Itamaraty porque segue o mesmo enquadramento jurídico aplicado a cartéis mexicanos e ao Tren de Aragua venezuelano. Esse precedente abriu caminho, na prática, para ações militares americanas na região — e Brasília quer evitar que o mesmo raciocínio se aplique ao seu território.

No tarifaço, o roteiro foi diferente: a ala Maga avançou, Trump recuou após conversas diretas com Lula, e o Brasil saiu com ganho político no discurso de defesa da soberania. Desta vez, os assessores reconhecem que o terreno é mais pantanoso.

Trump endossa essas ações?

A dúvida central dentro do governo brasileiro é saber se Trump endossa pessoalmente essas novas ofensivas ou se elas são iniciativa da ala ideológica do Maga agindo por conta própria. A resposta só deve ficar mais clara quando Lula se encontrar com o americano na Casa Branca.

A demora no encontro, ainda sem data definida, criou um vácuo que a ala ideológica soube explorar: avançar pautas ligadas à família Bolsonaro sem resistência do canal direto entre os presidentes.

A estratégia do Palácio do Planalto, por enquanto, é não cair em provocações — o mesmo manual que funcionou no tarifaço. Mas os assessores sabem que desta vez a equação é diferente: o tema é crime organizado, não comércio, e o apelo popular aponta na direção contrária.

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