Política

Bolsonaristas pressionam Trump para classificar PCC e CV como terroristas

Diplomacia brasileira age nos bastidores para conter iniciativa ligada à ala radical do Maga

O governo Lula identificou uma nova onda de articulação de aliados de Jair Bolsonaro junto à gestão Donald Trump para pressionar pela classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

A manobra, detectada por diplomatas e assessores presidenciais, passa pela ala mais radical do movimento Maga e pelo Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio.

A medida poderia abrir caminho para intervenções militares americanas no território brasileiro e sanções a instituições financeiras — impactos que o Planalto trata como afronta direta à soberania nacional.

Ala radical do Maga como canal de pressão

A avaliação no Palácio do Planalto e no Itamaraty é que os grupos bolsonaristas com acesso à Casa Branca haviam perdido força após o fracasso do tarifaço e das tentativas de sanções contra autoridades brasileiras. Nas últimas semanas, porém, ressurgiram com força no entorno de Trump, especialmente dentro do Departamento de Estado.

Uma das peças centrais dessa articulação é Darren Beattie, nomeado em fevereiro como assessor de Trump para assuntos ligados ao Brasil. Lotado no Departamento de Estado, Beattie tem histórico de ataques ao STF e ao governo brasileiro, além de participação em eventos de nacionalistas brancos. Esta semana, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o encontro entre Beattie e Bolsonaro na prisão, em data diferente da pedida pelo assessor americano — decisão que a defesa de Bolsonaro recorreu.

O influenciador Paulo Figueiredo, denunciado pela PGR por coação contra autoridades do Judiciário no contexto da trama golpista, admitiu que a estratégia é deliberada. “Pra gente é bom que esse assunto mantenha a tensão entre os dois países”, disse à GloboNews.

Diplomacia age nos bastidores

Mauro Vieira telefonou para Marco Rubio no sábado: além de discutir a visita de Lula a Trump — ainda sem data confirmada —, o chanceler pediu que o secretário de Estado não tome decisões sobre a classificação das facções antes do encontro entre os presidentes. O movimento marca a linha de frente da crise diplomática, desde quando o Itamaraty tenta barrar a designação antes que ela chegue ao Congresso americano.

A Embaixada brasileira em Washington também tem agido com encontros direcionados sobretudo a deputados e senadores democratas. Segundo funcionários do governo americano, a parte técnica do processo já está concluída — a decisão agora é política e está nas mãos de Rubio, sendo o aval final prerrogativa de Trump.

Eleições no horizonte

O cenário preocupa o Planalto também pelo calendário eleitoral. Integrantes do governo avaliam que a demora no encontro Lula-Trump — inicialmente previsto para meados de março — combinada com a nova ofensiva dos radicais do Maga pode esfriar uma relação que ambos os líderes descreveram como de “química excelente”. Fontes da diplomacia defendem que o encontro ocorra antes do início do ciclo eleitoral para afastar ruídos.

A pressão cresce enquanto a popularidade de Lula recua nas pesquisas e Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, sobe. O Ministério da Justiça já preparou um dossiê com iniciativas de combate ao crime organizado para apresentar a Trump — estratégia propositiva adotada após identificar que a segurança pública estava sendo usada como vetor de atrito diplomático.

A tática foi detectada ainda em outubro do ano passado, após a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. O Departamento de Estado já havia formalizado a visão de que PCC e Comando Vermelho são ameaças de alcance regional — declaração que acendeu o alerta no Planalto sobre possíveis desdobramentos na América do Sul.

O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco-SP, que participou de reuniões com assessores de Rubio, alerta que o rótulo terrorista pode desfazer a cooperação direta com FBI e DEA e expor o Brasil a sanções econômicas. A decisão de Washington servirá de termômetro da postura da Casa Branca em relação ao governo Lula até as eleições de outubro.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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