O chanceler Mauro Vieira ligou para o secretário de Estado Marco Rubio no domingo (8) para tratar de dois assuntos: a visita oficial do presidente Lula à Casa Branca — e o risco de os EUA classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
Fontes ligadas ao governo Trump no Brasil confirmam que a proposta é encabeçada por Rubio e está bem avançada, devendo ser levada ao Congresso americano para ratificação nos próximos dias.
O enquadramento que preocupa Brasília
A classificação de organizações criminosas como terroristas não é novidade na gestão Trump. O governo americano já inseriu na lista o venezuelano Tren de Aragua e seis cartéis mexicanos — a mesma designação usada como justificativa para a invasão à Venezuela e a prisão de Nicolás Maduro, em janeiro.
O precedente inquieta o Itamaraty: o mesmo enquadramento jurídico que autorizou ações contra grupos latino-americanos pode agora atingir o PCC e o Comando Vermelho, as duas maiores facções criminosas do Brasil. O debate sobre a medida não é novo, mas ganhou contornos concretos com o avanço da proposta.
Dias antes da ligação de Vieira a Rubio, o assessor Stephen Miller já havia declarado em Washington que cartéis “só podem ser derrotados com poder militar” — doutrina que agora ameaça enquadrar o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras. Entenda: Miller defendeu força militar contra cartéis em conferência das Américas
Visita de Lula à Casa Branca ainda sem data
O encontro entre Lula e Trump, que inicialmente deveria ocorrer em março, ainda não tem data confirmada. A dificuldade de conciliar agendas entre os dois presidentes adiou a reunião, tornando a ligação de Vieira a Rubio o principal canal diplomático ativo no momento.
O telefonema foi o movimento direto acionado pelo governo brasileiro para sinalizar que a classificação do PCC e do CV como terroristas teria consequências concretas na relação bilateral — um recado que o Itamaraty quis deixar claro antes que a proposta chegasse ao Congresso.
A mesma semana em que Trump formalizou o Escudo das Américas — deixando Lula deliberadamente de fora — consolidou a política de equiparar facções criminosas a grupos terroristas, precedente que o Itamaraty agora tenta evitar que se aplique ao PCC e ao CV. Veja também: Trump lança coalizão anticartel com conservadores da América Latina