O Itamaraty convocou nesta quarta-feira (9) o encarregado de Negócios da embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, após nota da representação diplomática em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Escobar reuniu-se com a secretária Maria Luísa Escorel, que relatou o encontro ao chanceler Mauro Vieira. O relatório será levado ao presidente Lula.
A nota americana endossou a opinião de Donald Trump e classificou Bolsonaro como vítima de “perseguição política”.
Repercussão diplomática
O episódio teve início após a embaixada dos Estados Unidos emitir nota oficial nesta quarta-feira (9), apoiando declarações do ex-presidente Donald Trump sobre Jair Bolsonaro. Na nota, a embaixada afirmou que Bolsonaro e sua família foram “fortes parceiros dos Estados Unidos” e que a “perseguição política” contra eles “desrespeita as tradições democráticas do Brasil”. O texto ainda reforçou a declaração de Trump e disse que o governo americano acompanha de perto a situação, sem comentar ações futuras do Departamento de Estado.
Jair Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de liderar uma organização criminosa para tramar um golpe de Estado no Brasil. Além disso, foi considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político durante reunião com diplomatas no Palácio da Alvorada, quando ainda era presidente.
Após a convocação, Gabriel Escobar reuniu-se com Maria Luísa Escorel, secretária de Europa e América do Norte do Itamaraty. O conteúdo do encontro foi relatado ao chanceler Mauro Vieira, que encaminhará o relatório ao presidente Lula.
Troca de declarações entre líderes
O apoio público de Donald Trump a Bolsonaro intensificou a crise diplomática. Na terça-feira (8), Trump publicou em sua rede social Truth Social que Bolsonaro deveria ser “deixado em paz” e classificou as ações contra o ex-presidente como “caça às bruxas”. No dia anterior, Trump já havia defendido Bolsonaro, afirmando que ele é alvo de perseguição política e que o Brasil está fazendo “algo terrível” ao tratar o ex-presidente dessa forma.
Bolsonaro agradeceu publicamente a Trump, dizendo ter recebido a mensagem com “alegria” e comparando sua situação à do ex-presidente americano, que também teria sido “implacavelmente perseguido”. Por sua vez, o Palácio do Planalto respondeu às manifestações de Trump em nota assinada por Lula, sem citar nomes diretamente. O comunicado ressaltou que “a defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros” e que o país não aceita “interferência ou tutela de quem quer que seja”.
Lula enfatizou ainda que o Brasil possui instituições sólidas e independentes e que “ninguém está acima da lei, sobretudo os que atentam contra a liberdade e o Estado de Direito”.