A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou nesta segunda-feira (7) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após ele publicar um post em defesa de Jair Bolsonaro nas redes sociais.
Gleisi afirmou que Trump deveria cuidar dos problemas do seu país, respeitar a soberania brasileira e não interferir no processo judicial contra Bolsonaro, que é réu por tentativa de golpe.
Reação de Gleisi Hoffmann
Responsável pela articulação política do governo, Gleisi Hoffmann declarou que Bolsonaro responde por crimes cometidos contra a democracia e o processo eleitoral no Brasil. Ela discordou da ideia de que o ex-presidente seja alvo de perseguição, como sugerido por Trump em sua publicação.
Segundo Gleisi, “Trump deveria respeitar a soberania brasileira e não tentar interferir no processo judicial brasileiro”.
Postagem de Trump nas redes sociais
Nesta segunda-feira (7), Donald Trump usou a Truth Social para defender Bolsonaro, afirmando que ele é alvo de perseguição. O ex-presidente dos EUA disse que o Brasil está fazendo “algo terrível” no tratamento dado a Bolsonaro, que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado após perder as eleições para Lula (PT) em 2022.
Trump declarou que vai acompanhar de perto o que acontece no Brasil e afirmou que Bolsonaro “não é culpado de nada”, sem mencionar diretamente as ações judiciais em curso.
Processo judicial contra Bolsonaro
Em março, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade tornar réus Bolsonaro e mais sete aliados por tentativa de golpe em 2022. Os cinco ministros aceitaram a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Bolsonaro prestou depoimento em 10 de junho, negando as principais acusações, contextualizando reuniões com militares, admitindo exageros na retórica contra o sistema eleitoral e negando envolvimento com planos ilegais.
Em 27 de junho, a ação penal sobre a participação do núcleo político e operacional na trama golpista avançou para a fase final no STF. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, encerrou a fase de instrução processual e abriu prazo para alegações finais de acusação e defesa.
Até agora, 497 pessoas foram condenadas pelo STF por tentativa de golpe de Estado em 2022, a maioria por crimes como abolição violenta do estado democrático de direito, dano qualificado, golpe de estado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa. Oito pessoas foram absolvidas.