Política

Miller afirma que cartéis só caem com força militar em conferência das Américas

Reunião com líderes latino-americanos consolida nova doutrina Trump; Colômbia recusa participar

O assessor de segurança interna da Casa Branca, Stephen Miller, declarou nesta quinta-feira (5) que cartéis de drogas só podem ser derrotados com poder militar. A declaração foi feita na "Conferência das Américas Contra Cartéis", reunião com líderes militares latino-americanos.

A postura sinaliza uma mudança de doutrina sob Trump, cujo governo passou a equiparar traficantes a organizações terroristas como Al Qaeda e Estado Islâmico — política que divide especialistas e irrita aliados tradicionais na região.

Miller foi direto ao justificar o formato militar do encontro: "A razão pela qual esta é uma conferência com liderança militar e não uma conferência de advogados é porque essas organizações só podem ser derrotadas com poder militar."

A nova abordagem já se traduz em ações concretas. Sob Trump, os EUA explodiram embarcações suspeitas de tráfico, prenderam o presidente da Venezuela em janeiro e auxiliaram o México na captura do chefe de cartel mais procurado do país no mês passado.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, manifestou o desejo de que a conferência resultasse em uma cooperação mais próxima entre os países participantes no combate às organizações criminosas.

A Colômbia, tradicional parceira dos EUA na política antidrogas, recusou enviar delegação ao encontro — sinal do desgaste com a nova estratégia americana. Especialistas jurídicos e parlamentares democratas também questionam a legalidade de equiparar traficantes a membros de grupos como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda.

Cúpula em Miami e agenda anti-China

Ryan Berg, diretor do Programa das Américas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), avalia que o objetivo da conferência é reunir governos alinhados a Washington para estruturar novos modelos de cooperação regional.

A semana também marcou o anúncio de que forças militares americanas passaram a auxiliar o Equador no combate ao tráfico de drogas — exemplo concreto do novo modelo operacional em construção na região.

Segundo Berg, a conferência serve ainda de preparação para uma cúpula das Américas que Trump organizará em Miami neste fim de semana, onde os EUA devem promover uma agenda de contenção à influência chinesa — revelando que a batalha contra os cartéis está inserida em um contexto geopolítico mais amplo.