O Banco Central revelou que a nova modalidade de crédito consignado ao setor privado apresenta juros superiores aos contratos antigos com convênios. O relatório divulgado na última semana indica que, embora mais barata que o crédito pessoal não consignado, a taxa é mais alta que a dos modelos tradicionais.
O tomador médio desse novo consignado trabalha em empresas menores, tem menos tempo de vínculo e recebe salários mais baixos, segundo o BC. Em agosto, a taxa média atingiu 3,79% ao mês, superando as linhas para aposentados e servidores.
Diferenças entre modalidades e perfil dos tomadores
De acordo com o relatório de política monetária do Banco Central, a nova modalidade de crédito consignado, com desconto em folha, é mais onerosa que os empréstimos feitos por meio de convênios entre empresas e instituições financeiras. Apesar disso, ela permanece mais acessível que o crédito pessoal não consignado.
O documento aponta que a diferença de taxas pode estar relacionada ao perfil dos trabalhadores que buscam o novo consignado. Eles, em geral, atuam em empresas de menor porte, possuem vínculos mais recentes e recebem salários inferiores aos tomadores dos convênios tradicionais.
Taxas de juros e variação entre bancos
Em agosto, a taxa média do consignado ao setor privado ficou em 3,79% ao mês, um leve aumento em relação a julho (3,75%). Esse percentual é aproximadamente o dobro do praticado para aposentados (1,81%) e servidores públicos (1,86%).
O Banco Central também divulgou um ranking das taxas de juros praticadas entre 9 e 15 de setembro, variando de 1,47% a 6,1% ao mês. No entanto, as taxas finais dependem da análise de risco de cada instituição, considerando garantias, tempo de trabalho e histórico de crédito.
Especialistas orientam que trabalhadores pesquisem ofertas no aplicativo Carteira de Trabalho Digital antes de contratar empréstimos, estimulando a concorrência entre bancos.
Regulação, teto de juros e funcionamento da nova linha
Atualmente, não há teto definido para os juros do consignado ao setor privado. As taxas são estabelecidas livremente pelos bancos, conforme o perfil do cliente. A Febraban defende que não é necessário impor um teto, pois a garantia do FGTS tende a reduzir os juros.
No lançamento da nova modalidade, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o governo poderá estabelecer um teto caso identifique abusos do sistema financeiro. Um decreto de março atribuiu ao Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado a definição de parâmetros dos contratos com garantia do FGTS, abrindo espaço para um teto futuro.
Como funciona a nova modalidade
Lançada oficialmente em 21 de março, a nova linha permite usar até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia, embora as regras dessas garantias ainda não estejam regulamentadas. As parcelas são descontadas diretamente do salário do trabalhador.
Antes, o consignado exigia convênio entre empresa e banco, dificultando o acesso. Agora, a contratação pode ser feita pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou pelos canais eletrônicos dos bancos habilitados. Desde 6 de junho, também é possível fazer portabilidade interbancária, trocando contratos antigos por condições melhores em outras instituições.