Economia

Governo passa a punir bancos com juros abusivos no consignado privado

Comitê Gestor cria taxa de referência e limita diferença entre contrato e custo efetivo total
Lula e Banco Central marcam regulação de juros abusivos no consignado privado

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (27) que bancos que cobrarem taxas muito acima da média de mercado no crédito consignado privado poderão ser punidos. A decisão foi tomada pelo Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado ao fim da semana passada.

A medida não fixa um teto de juros, mas estabelece uma taxa de referência para balizar as cobranças. Hoje, a média do consignado privado está em 3,66% ao mês, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego.

Além da taxa de referência, a nova regra limita a 1 ponto percentual a diferença entre os juros nominais do contrato e o Custo Efetivo Total (CET) — que engloba tributos e seguro. A medida cria uma margem objetiva para identificar cobranças excessivas, sem chegar a um teto fixo como existe no consignado do INSS.

A iniciativa se apoia no crescimento acelerado do programa Crédito do Trabalhador, lançado em março de 2025 para ampliar o acesso ao empréstimo com desconto em folha para trabalhadores do setor privado. Desde então, o programa movimentou R$ 121 bilhões em operações, chegou a 9 milhões de trabalhadores e envolveu 97 instituições financeiras.

O próprio sucesso do programa acendeu alertas: com a demanda aquecida, o risco de taxas abusivas cresceu. A nova regulação tenta conter esse movimento sem inibir a oferta de crédito.

A medida desta segunda integra uma ofensiva mais ampla do governo: semanas atrás, o Ministério da Fazenda já havia iniciado negociações com bancos para aliviar o endividamento das famílias — ação que agora se conecta diretamente ao consignado privado.

O contexto macroeconômico reforça a urgência da regulação. Dados do Banco Central divulgados nesta segunda indicam que o endividamento das famílias atingiu 49,9% em fevereiro, o maior patamar desde o início da série histórica em 2005. O dado se soma ao recorde de 80,4% de famílias endividadas registrado em março, cenário que pressiona o governo a agir em ano eleitoral.

O pano de fundo é ainda mais pesado: o Banco Central já havia classificado o superendividamento como problema crescente, com quase 130 milhões de brasileiros — 74% dos correntistas — encerrando 2024 com alguma dívida ativa.

Para esta semana, o governo deve anunciar uma ação complementar voltada à renegociação de dívidas, que será integrada à nova política do consignado. O movimento ocorre em meio ao aumento da inadimplência no país — fator que pode corroer a percepção de bem-estar das famílias num momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para disputar a reeleição em 2026.

Instituições financeiras já sinalizaram desconforto com a medida. Segundo ao menos um banco consultado, embora não haja teto formal de juros, a criação de uma taxa de referência “gera incerteza” sobre como a média do mercado pode evoluir ao longo do tempo — o que pode influenciar decisões de concessão de crédito.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

FGTS vira garantia no consignado CLT após 15 meses de espera; entidades alertam para riscos

Banco Central divulga ranking de juros do consignado CLT e governo monitora taxas

Juros do consignado ao setor privado atingem 3,79 ao mês em junho e superam taxas de aposentados e servidores

Portabilidade de consignado CLT via carteira digital começa no fim do mês

Governo define novos prazos para portabilidade e garantia do FGTS no consignado CLT

Taxa do consignado ao setor privado atinge 3,75 por cento ao mês em julho e supera outras categorias