Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, discursou nesta quinta-feira (25) na Assembleia Geral da ONU por videoconferência, após ter o visto de entrada nos EUA negado. Ele afirmou que não haverá paz sem a criação de um Estado da Palestina, condenou o grupo Hamas e declarou-se pronto para trabalhar com Donald Trump em um plano de paz.
Abbas também defendeu a convivência pacífica com Israel, criticou a campanha militar israelense em Gaza e agradeceu o reconhecimento internacional recente ao Estado palestino.
Principais pontos do discurso de Mahmoud Abbas
Durante a Assembleia Geral da ONU, Mahmoud Abbas destacou que a paz só será possível com justiça, e que isso só ocorrerá com a existência de um Estado palestino. “Quero deixar uma mensagem clara: não se pode alcançar paz sem Justiça, e a Justiça só será feita quando houver um estado da Palestina”, declarou. Abbas governa a Cisjordânia, território palestino sob ocupação militar de Israel, e reforçou o compromisso com a construção de instituições modernas que permitam a convivência pacífica com o Estado de Israel.
O presidente palestino também se posicionou contra o ataque do grupo Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra na Faixa de Gaza. “Apesar do que o nosso povo sofreu, nós rejeitamos o que o Hamas fez em 7 de outubro. Essas ações não representam o povo palestino”, afirmou Abbas, que é rival político do Hamas.
Abbas declarou que o Hamas não terá papel em um eventual novo governo na Faixa de Gaza após a guerra. “Afirmamos, e continuaremos a afirmar, que a Faixa de Gaza é parte integrante do Estado da Palestina, e que estamos prontos a assumir plena responsabilidade pela governança e segurança lá. O Hamas não terá papel na governança”, disse.
O presidente pediu ainda que o Hamas e outras facções entreguem suas armas à Autoridade Nacional Palestina, defendendo a criação de instituições de Estado, lei e forças de segurança legal. “Reiteramos que não queremos um Estado armado”, pontuou.
Críticas a Israel e reconhecimento internacional
Abbas classificou os ataques de Israel em Gaza como “um crime de guerra e contra a humanidade, que está documentado e será registrado em livros de história”. Ele acusou o governo de Benjamin Netanyahu de usar a fome como arma de guerra e de descumprir os Acordos de Oslo de 1993, que previam um processo de paz e a retirada das tropas israelenses da Cisjordânia e de Gaza até 1999.
O presidente palestino agradeceu o apoio de países que reconheceram a Palestina como Estado nos últimos dias, citando Reino Unido, França, Canadá, Portugal e Malta. “Agradecemos os 149 países que já reconheceram a Palestina como um Estado. Nosso povo não esquecerá”, declarou.
Disposição para diálogo com os EUA
Apesar da forte aliança entre Estados Unidos e Israel, Abbas afirmou estar pronto para trabalhar com Donald Trump e outros parceiros na implementação do plano de paz aprovado em 22 de setembro. O discurso foi realizado por videoconferência, já que Abbas teve o visto de entrada nos EUA negado pelo governo Trump, onde fica a sede da ONU.