A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta sexta-feira (12) uma resolução que apoia a criação de um Estado palestino, excluindo o Hamas do processo. O texto, apresentado por França e Arábia Saudita, recebeu 142 votos favoráveis, 10 contrários e 12 abstenções.
Israel e Estados Unidos estiveram entre os países que votaram contra a proposta, que também condena os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 e defende a entrega do controle de Gaza à Autoridade Palestina.
Detalhes da resolução e reações internacionais
A resolução aprovada pela Assembleia Geral da ONU foi apresentada por França e Arábia Saudita, com apoio da Liga Árabe e assinatura de 17 países em julho. O texto condena explicitamente os ataques do Hamas em 7 de outubro contra civis e exige a libertação de todos os reféns ainda mantidos pelo grupo em Gaza.
Segundo a proposta, “no contexto da finalização da guerra em Gaza, o Hamas deve deixar de exercer sua autoridade sobre a Faixa de Gaza e entregar suas armas à Autoridade Palestina, com o apoio e colaboração da comunidade internacional”. O objetivo é a formação de um Estado palestino soberano e independente.
Israel criticou duramente a decisão. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Oren Marmorstein, classificou a resolução como “vergonhosa” e afirmou que ela “não favorece uma solução para a paz”, pois “encoraja o Hamas a continuar a guerra”.
Richard Gowan, do International Crisis Group, destacou que o apoio da Assembleia Geral a um texto que condena diretamente o Hamas é significativo, embora, segundo ele, “os israelenses digam que é pouco demais e tarde demais”.
Reconhecimento internacional e próximos passos
A votação antecede uma cúpula da ONU copresidida por Riad e Paris, marcada para 22 de setembro em Nova York, onde o presidente francês Emmanuel Macron prometeu reconhecer formalmente o Estado palestino. Outros países também anunciaram intenção semelhante para a semana da Assembleia Geral.
O texto propõe ainda o envio de uma “missão internacional temporária de estabilização” em Gaza, sob mandato do Conselho de Segurança da ONU, para proteger a população, fortalecer capacidades do Estado palestino e garantir segurança tanto para Palestina quanto para Israel.
Atualmente, cerca de três quartos dos 193 Estados-membros da ONU já reconhecem o Estado palestino, entre eles o Brasil. No entanto, a continuidade da guerra em Gaza, a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia e intenções de anexação aumentam o temor de que a criação de um Estado palestino independente se torne inviável.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou: “Não haverá um Estado palestino”. Os Estados Unidos já anunciaram que o presidente palestino, Mahmud Abbas, não obterá visto para viajar a Nova York.