O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (23), na Assembleia Geral da ONU, que “nada justifica o genocídio em curso em Gaza”. Lula também lamentou a ausência presencial do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, impedido de participar após revogação de vistos pelos EUA.
O discurso de Lula destacou a necessidade de uma solução diplomática para o conflito e pediu que a comunidade internacional garanta a proteção dos direitos humanos na região.
Discurso de Lula na Assembleia Geral
Durante a abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, Lula enfatizou que “os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo, mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza”. O presidente brasileiro defendeu o fim imediato dos ataques contra civis palestinos e reiterou o compromisso do Brasil com a solução de dois Estados, reconhecendo um Estado palestino ao lado de Israel.
Lula lamentou a ausência do presidente da Autoridade Nacional Palestina na reunião, destacando que a decisão dos Estados Unidos de barrar a participação do grupo representa um sinal de fragilidade democrática dentro da própria ONU. Segundo ele, “é lamentável que o presidente Mahmoud Abbas tenha sido impedido pelo país anfitrião de ocupar a bancada da Palestina nesse momento histórico”.
O presidente também expressou admiração por judeus que se opõem ao conflito, afirmando: “Em Gaza a fome é usada como arma de guerra e o deslocamento forçado de populações é praticado impunemente. Expresso minha admiração aos judeus que, dentro e fora de Israel, se opõem a essa punição coletiva. O povo palestino corre o risco de desaparecer”.
Contexto do veto e situação palestina
O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, não participou presencialmente da Assembleia Geral deste ano após o governo de Donald Trump revogar todos os vistos dos membros do governo palestino. Desde agosto, o Departamento de Estado dos EUA revogou os vistos de entrada de representantes da Autoridade Palestina e da Organização para a Liberação da Palestina (OLP), acusando-os de associações com o terrorismo e de minar as perspectivas de paz no Oriente Médio.
A Autoridade Palestina foi criada para gerir politicamente os territórios palestinos, mas, desde que o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, a entidade só exerce poder de fato sobre alguns enclaves na Cisjordânia. Desde 2012, a Palestina é considerada Estado Observador Não Membro da ONU, podendo participar dos debates, mas sem poder de voto.
Mais de 140 países, incluindo o Brasil, reconhecem o Estado Palestino. No Conselho de Segurança, os Estados Unidos permanecem como o único dos cinco membros permanentes a não reconhecer a Palestina como Estado. O futuro do território palestino e o fim do conflito, que já dura quase dois anos, devem ser temas centrais nos debates da Assembleia Geral deste ano.