O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (29) um plano de paz para encerrar o conflito na Faixa de Gaza. A proposta funciona como ultimato ao Hamas e pode abrir caminho para o reconhecimento do Estado palestino, condicionando esse processo à reconstrução de Gaza e reformas na Autoridade Palestina.
O plano prevê a saída do Hamas do governo, criação de um comitê de transição e supervisão internacional, além de medidas de desmilitarização e apoio econômico. Países aliados e líderes internacionais reagiram positivamente, mas moradores de Gaza demonstraram desconfiança e temor.
Reações internacionais e resposta de Israel
A Autoridade Palestina declarou apoio aos esforços dos EUA, reiterando o compromisso com uma paz baseada na solução de dois Estados. Chanceleres da Arábia Saudita, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Catar e Egito também sinalizaram disposição para cooperar na implementação do acordo.
Na Europa, António Costa, presidente da Comissão Europeia, pediu que as partes aproveitem a oportunidade para buscar a paz. Emmanuel Macron, presidente francês, cobrou o engajamento de Israel e a libertação dos reféns pelo Hamas. O premiê britânico, Keir Starmer, elogiou a iniciativa e pediu ao Hamas que aceite o plano e entregue as armas.
Por outro lado, a Jihad Islâmica Palestina, aliada do Hamas, rejeitou a proposta, classificando-a como “receita para explodir a região”. Em Gaza, moradores expressaram descrença e preocupação, temendo que o acordo não traga garantias reais de fim do conflito.
Posição de Israel e desafios internos
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, declarou apoio ao plano, destacando que ele prevê a devolução de reféns e o desmantelamento do Hamas. No entanto, demonstrou resistência à criação de um Estado palestino, tema que enfrenta oposição interna e pode ameaçar a estabilidade do governo.
Netanyahu enfrenta pressão popular pelo fim da guerra e de ministros que temem concessões excessivas. Em discurso recente na ONU, classificou a criação do Estado palestino como “insanidade”.
Diferenciais do novo plano e detalhes da proposta
O plano atual difere do acordo de janeiro ao exigir a libertação imediata de todos os reféns e prever a saída do Hamas do governo, substituído por um comitê tecnocrático palestino sob supervisão internacional. A reconstrução de Gaza ficaria a cargo desse comitê, com recursos administrados pelo chamado “Conselho da Paz”, liderado por Trump.
O texto prevê desmilitarização total da região, criação de uma Força Internacional de Estabilização (ISF) para treinar a nova polícia palestina e retirada gradual das tropas israelenses. O Hamas e outras facções não poderiam participar do novo governo, mas membros que entregarem as armas podem receber anistia. Civis são encorajados a permanecer para reconstrução, mas podem sair livremente se desejarem.
Estado palestino e próximos passos
O reconhecimento do Estado palestino está condicionado à reconstrução de Gaza e reformas na Autoridade Palestina. O plano é vago sobre prazos e mecanismos, mas indica que a autodeterminação palestina depende do sucesso dessas etapas.
Até o momento, o Hamas não se pronunciou oficialmente e negocia a resposta com mediadores internacionais, sem prazo definido para decisão.