O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta quinta-feira (25) a criação de uma delegacia da Receita Federal em Brasília, voltada ao combate de crimes financeiros e ao crime organizado.
A medida ocorre após a Operação Spare, que investiga o PCC e esquemas de lavagem de dinheiro com maquininhas de cartão em estabelecimentos comerciais.
Haddad afirmou que a nova delegacia busca institucionalizar o enfrentamento ao crime organizado e reforçar a segurança pública.
Nova delegacia e combate ao crime organizado
Durante entrevista no Ministério da Fazenda, Fernando Haddad explicou que a delegacia especializada permitirá o deslocamento de mais servidores, tema que será discutido com o Ministério da Gestão e da Inovação nas próximas semanas. O ministro afirmou: “Vamos estruturar [a delegacia] como um legado. Quando tem um núcleo ainda informal, como hoje, que trabalha há dois anos, pode ser que amanhã apareça outra pessoa aqui que não tenha tanto interesse no reforço da segurança pública. Queremos institucionalizar para impedir retrocessos. Quando cria um órgão de estado voltado para determinada finalidade, fica mais difícil desfazer”.
Segundo Haddad, a delegacia está em fase de estruturação e pretende tornar o combate ao crime organizado “uma coisa visível e eficaz, para que esse tipo de ação continue indefinidamente [independente do governo que assuma]”.
As investigações da Operação Spare apontam que integrantes do Primeiro Comando da Capital atuavam em motéis, postos de combustíveis e lojas de conveniência para financiar o crime organizado em São Paulo.
Integração e legislação
O ministro destacou a importância da integração com outros órgãos, como o Coaf, Polícia Federal, Gaeco, Ministério Público e polícias civil e militar, afirmando: “Essa coordenação é que vai produzir os melhores resultados no combate ao crime organizado”.
Haddad também ressaltou a necessidade de aprovação do projeto do Devedor Contumaz pela Câmara dos Deputados, após o texto ter sido aprovado no Senado Federal. Segundo ele, “O Brasil tem legislação frouxa em relação a práticas reiteradas de fraudes. Abrir e fechar CPF para driblar a legislação é muito usado ainda. Com o Devedor Contumaz, isso acaba”.