Economia

Governo determina monitoramento rigoroso de fintechs após operação contra lavagem de dinheiro

Fake news sobre taxação do PIX atrasaram fiscalização mas Receita Federal exigirá informações financeiras das fintechs a partir desta sexta

O governo federal decidiu intensificar o monitoramento das fintechs após uma megaoperação da Polícia Federal revelar lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. O ministro Fernando Haddad anunciou que, a partir desta sexta-feira, essas instituições terão de informar ao governo a movimentação financeira de seus clientes. A medida foi adiada no início do ano devido à disseminação de fake news sobre suposta taxação do PIX.

Nova exigência para fintechs começa a valer

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (28) que a Receita Federal passará a monitorar mais de perto as fintechs, equiparando suas obrigações às dos grandes bancos. Segundo Haddad, a partir desta sexta-feira, as fintechs serão enquadradas como instituições financeiras e deverão cumprir rigorosamente as mesmas exigências de repasse de informações sobre movimentações financeiras de clientes ao Fisco.

A decisão ocorre após operação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público e órgãos estaduais identificar esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligados a organizações criminosas, como o PCC, movimentando cerca de R$ 52 bilhões por meio das fintechs nos últimos quatro anos.

De acordo com o ministro, a nova regra será formalizada por instrução normativa da Receita Federal, aumentando o potencial de fiscalização e a parceria com a Polícia Federal no combate ao crime organizado.

Fake news e impacto na fiscalização

A subsecretária de fiscalização da Receita, Andrea Costa Chaves, destacou que as fintechs vinham operando como um “banco paralelo do crime organizado” devido à ausência de obrigação de repassar dados ao Fisco. Essa lacuna surgiu após uma onda de fake news sobre o PIX no início do ano, que levou o governo a recuar da fiscalização mais próxima dessas instituições em 2025.

Com isso, mais de 200 instituições financeiras seguiram sem enviar informações sobre movimentação financeira, facilitando a atuação do crime organizado. Agora, com a nova instrução normativa, as fintechs terão que prestar os mesmos esclarecimentos exigidos dos grandes bancos, permitindo ao governo destrinchar esquemas de lavagem de dinheiro com mais agilidade.

Haddad enfatizou que o objetivo é fechar o espaço utilizado pelo crime organizado e reforçar o combate à lavagem de dinheiro no sistema financeiro nacional.

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