O Ministério da Fazenda afirmou nesta quinta-feira (28) que o monitoramento de fintechs pela Receita Federal foi decisivo para revelar como o PCC financia suas operações no setor de combustíveis.
No mesmo dia, o Gaeco e a Receita Federal deflagraram a Operação Fluxo Oculto — nova fase da Carbono Oculto —, cumprindo cerca de 60 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Postos, laranjas e contas únicas
A investigação identificou um padrão sofisticado de encobrimento financeiro: em um dos casos levantados, 56 postos de combustíveis tinham suas movimentações concentradas em uma única conta — artifício clássico de lavagem de dinheiro para dificultar o rastreamento fiscal.
Os alvos incluem empresários, operadores logísticos e laranjas que, segundo as apurações, continuaram atuando mesmo após fases anteriores da Carbono Oculto — evidenciando alto grau de organização e capacidade de adaptação da estrutura financeira do PCC.
Nos últimos meses, o esquema migrou recursos entre diversas fintechs e criou novas empresas para substituir as já expostas nas investigações anteriores, embaralhando o rastro das movimentações suspeitas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, definiu o monitoramento como uma forma de combater o crime organizado no “andar de cima, olhando a parte financeira que abastece e dá oxigênio ao crime organizado”.
Monitoramento retomado após a primeira fase
A vigilância mais próxima das fintechs pela Receita Federal foi retomada em agosto de 2025, após a primeira fase da Operação Carbono Oculto. O sistema e-Financeira — que concentra dados de movimentações financeiras de pessoas físicas e jurídicas para fins de fiscalização — foi peça central para cruzar informações sobre o fluxo de recursos suspeitos no setor.
A Operação Fluxo Oculto se insere em uma ofensiva mais ampla do governo federal. Duas semanas antes, a PF deflagrou ações em 16 estados e o governo anunciou R$ 11 bilhões para o combate ao crime organizado — investigações que já sinalizavam o uso de empresas de fachada e ativos ocultos como mecanismo central de lavagem dos recursos das facções.
