O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta quinta-feira (28) que a pasta vai utilizar inteligência artificial para fiscalizar fintechs e fundos de investimento.
A medida busca impedir o uso dessas instituições por organizações criminosas para ocultar e multiplicar fortunas, após operação que revelou atuação do PCC no setor.
Segundo Haddad, o sistema será treinado para identificar movimentações suspeitas e responsabilizar envolvidos.
Fiscalização reforçada com tecnologia
De acordo com o ministro Fernando Haddad, a inteligência artificial será empregada para rastrear entradas e saídas de recursos em fintechs, identificar movimentações atípicas e descobrir beneficiários finais. “A farra das fintechs e fundos de investimento a serviço de grupos criminosos vai acabar”, declarou Haddad à TV Globo. Ele explicou que o sistema será capaz de monitorar quem abastece as contas, como ocorrem as movimentações e para onde os valores são transferidos.
O ministro enfatizou que a fiscalização das fintechs será tão rigorosa quanto a dos bancos tradicionais. Segundo Haddad, nos últimos quatro anos, cerca de R$ 52 bilhões de organizações criminosas circularam por fintechs ligadas ao crime organizado.
As fintechs são empresas que utilizam tecnologia para oferecer serviços financeiros de forma mais ágil e simples que bancos convencionais.
Impacto das investigações
As apurações revelaram que facções criminosas, como o PCC, utilizavam uma rede financeira complexa, incluindo fintechs com contabilidade paralela, para movimentar e ocultar lucros bilionários provenientes de crimes como adulteração de combustíveis e sonegação fiscal.
Operação Carbono Oculto e resposta do governo
A operação batizada de Carbono Oculto mobilizou cerca de 1.400 agentes das polícias estaduais e federal em oito estados: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Mais de 350 pessoas e empresas foram alvo de mandados de prisão e busca e apreensão.
Segundo as investigações, o grupo criminoso sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos e atuava na produção e distribuição de combustíveis adulterados, afetando ao menos 300 postos em São Paulo. O setor estima que 30% dos postos do estado tenham sido atingidos.
Outro braço do esquema envolvia o controle de 40 fundos de investimento pelo PCC, com patrimônio superior a R$ 30 bilhões.
Migração para legalidade e cooperação institucional
Haddad avaliou que a operação conseguiu alcançar “o andar de cima” do crime organizado. Ele destacou que a identificação e o sequestro de recursos irregulares são passos fundamentais no combate às organizações criminosas. “A fiscalização da Receita Federal tem que ser colocada à disposição dos órgãos de combate ao crime organizado, porque a sofisticação do crime exige que decifremos o caminho do dinheiro”, afirmou o ministro.