O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (28) que a lavagem de dinheiro por meio de fintechs e fundos de investimento está com os dias contados. Segundo Haddad, a fiscalização será tão rigorosa quanto no sistema bancário tradicional e contará com o uso de inteligência artificial para rastrear movimentações suspeitas.
A declaração foi dada após megaoperação policial que revelou uso de instituições financeiras por facções criminosas para ocultar patrimônio e mascarar transações.
Fiscalização reforçada e uso de tecnologia
Durante coletiva, Fernando Haddad destacou que a atuação de fintechs e fundos de investimento como instrumentos de lavagem de dinheiro será alvo de monitoramento intenso. “Usaremos a Inteligência Artificial que já dispomos para rastrear e acompanhar o que entra e o que sai das fintechs. Quem abastece as contas, como se dão as movimentações, para onde foi o dinheiro. Quem está fazendo o quê”, afirmou o ministro.
Haddad garantiu que a fiscalização sobre essas empresas será equivalente à aplicada ao sistema bancário tradicional. O ministro enfatizou que movimentações atípicas, entradas e saídas sem identificação clara serão detectadas pela tecnologia. “Tudo isso a nossa IA vai pegar e vamos para cima de quem estiver fazendo coisa errada. Vamos seguir o dinheiro do criminoso”, completou.
Repercussão da megaoperação e desafios
Na esfera criminal, investigadores da Polícia Federal acreditam que as apreensões realizadas na megaoperação desta quinta-feira (28) vão revelar novos grupos envolvidos em esquemas milionários de adulteração de combustíveis e sonegação de impostos. O material recolhido é considerado farto e relevante.
As investigações também devem atingir operações de lavagem de dinheiro ligadas ao narcotráfico e à corrupção. No entanto, delegados federais demonstraram preocupação com o número de mandados de prisão preventiva não cumpridos: dos 14 expedidos, apenas seis foram efetivados, e alguns dos principais alvos conseguiram escapar.
“É totalmente atípico em nossas operações acontecer isso. Prender menos do que se deveria. Geralmente, escapa um ou outro. E não a maioria como agora. Temos que investigar o porquê disso. Se houve vazamento de informações e de onde”, afirmou um investigador. Apesar das dificuldades, os responsáveis pela ação garantem que os mandados serão cumpridos. “É uma questão de honra. Não vamos desistir”, declarou um dos agentes.