Dezoito ex-diretores do Federal Reserve, ex-secretários do Tesouro e outros altos funcionários dos EUA solicitaram nesta quinta-feira (25) à Suprema Corte que rejeite a tentativa de Donald Trump de demitir Lisa Cook do Fed.
Entre os signatários estão Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan. Eles alertam que a medida ameaça a independência do banco central e pode comprometer a confiança pública na instituição.
O pedido ocorre após decisões judiciais recentes e em meio a uma disputa inédita sobre o poder presidencial de afastar membros do Fed.
Disputa judicial e argumentos dos ex-dirigentes
A petição enviada à Suprema Corte por ex-líderes do Fed e do Tesouro argumenta que permitir a demissão de Lisa Cook durante a análise do caso colocaria em risco a independência do banco central. O documento destaca que o Congresso estruturou o Fed para ser protegido de pressões políticas, e que a remoção de Cook poderia trazer graves consequências econômicas, como aumento da inflação.
Na segunda-feira (15), o Tribunal de Apelações do Distrito de Columbia rejeitou, por 2 a 1, o pedido do governo Trump para suspender decisão da juíza Jia Cobb, que bloqueou temporariamente o afastamento de Cook. O governo Trump recorreu à Suprema Corte e o Departamento de Justiça também pediu a suspensão da ordem judicial.
No processo, os ex-dirigentes atuam como amicus curiae. Eles afirmam: “O risco de dano à reputação de independência do Federal Reserve — e, por consequência, à economia — justifica manter o status atual, mantendo Lisa Cook em seu cargo enquanto se avalia a legalidade da medida”.
A juíza Cobb já havia considerado que Trump provavelmente não tinha base legal suficiente para afastar Cook por supostas fraudes hipotecárias, acusações negadas pela diretora.
Repercussão e contexto histórico
Apoio internacional a Lisa Cook
No início do mês, quase 600 economistas, incluindo vencedores do Nobel como Claudia Goldin e Paul Romer, assinaram carta aberta em defesa da independência do Fed e de Lisa Cook. O documento, endereçado a Trump, ao Congresso e à sociedade americana, ressalta que bancos centrais independentes têm melhores resultados econômicos.
Implicações institucionais e políticas
Desde sua criação em 1913, nunca um presidente removeu um governador do Fed, e a regra de demissão “por justa causa” nunca foi testada nos tribunais. Cook, primeira mulher negra no cargo, processou Trump alegando que as acusações são pretexto para afastá-la por suas posições sobre política monetária.
O governo Trump defende que o presidente tem total discricionariedade para remover membros do Fed, enquanto especialistas alertam para impactos na condução da política monetária e na economia global. A Suprema Corte, com maioria conservadora, tem decidido favoravelmente ao governo em outros casos recentes.
Trump, ao longo do ano, criticou o presidente do Fed, Jerome Powell, e exigiu cortes agressivos nos juros, aumentando a pressão política sobre a instituição.