O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira (15) demitir Jerome Powell caso o presidente do Federal Reserve não deixe o cargo voluntariamente após a posse de seu sucessor indicado.
Trump nomeou Kevin Warsh em janeiro para presidir o banco central americano. A confirmação pelo Senado ainda está pendente, mas o presidente afirmou esperar o aval já na próxima semana — e acreditar que os juros cairão quando Warsh assumir o comando.
A ameaça representa uma escalada sem precedentes na disputa pelo controle da política monetária dos EUA. Trump pressionava o Fed por cortes de juros há meses, e a relação com Powell deteriorou a ponto de a Casa Branca orquestrar uma investigação formal contra o dirigente.
Em janeiro, Powell confirmou ter se tornado alvo de uma apuração do Departamento de Justiça. Em vídeo publicado no X, ele atribuiu a abertura do inquérito diretamente à pressão do governo sobre a política de juros — deixando claro que via o movimento como coação institucional.
A ofensiva jurídica, no entanto, encontrou resistência no Judiciário. Em março, um juiz federal bloqueou as intimações do DOJ contra Powell, concluindo haver uma ‘montanha de evidências’ de que a ação visava forçar cortes de juros, e não apurar irregularidades genuínas.
Questionado sobre as investigações, Trump não recuou: afirmou que “precisamos descobrir o que aconteceu lá [no Fed]” — sinalizando que a pressão sobre Powell seguirá até a confirmação de Warsh pelo Senado.
Warsh, que já integrou o conselho do Fed entre 2006 e 2011, compareceu ao Senado com um discurso calibrado. O indicado prometeu independência nas decisões de juros, mas se mostrou aberto à influência do Executivo em regulação bancária e supervisão financeira — uma distinção que não passou despercebida pelos senadores durante a sabatina.
Do lado de Powell, a saída da presidência não significa abandono da instituição. O atual presidente do Fed anunciou que permanecerá como diretor do banco central até 2028, mesmo após deixar o cargo máximo em maio — mantendo sua voz presente durante todo o restante do governo Trump.
O embate coloca em xeque décadas de tradição de independência do banco central americano. Para os mercados globais, a incerteza sobre quem — e com que autonomia — comandará o Fed nos próximos anos já pesa sobre o dólar e as bolsas internacionais.
