Economia

Fed mantém juros na última decisão de Powell com petróleo a US$ 118

Guerra EUA-Irã empurra o barril a 60% de alta e deixa banco central americano sem espaço para novos cortes
Powell com barris de petróleo e bandeiras iranianas retratam Fed mantém juros durante guerra Irã

O Federal Reserve manteve nesta quarta-feira (29) a taxa de juros americana na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — terceira reunião consecutiva sem alteração e menor patamar desde setembro de 2022.

No centro da decisão está a guerra entre EUA e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, que empurrou o barril de petróleo Brent a US$ 118,70, alta de mais de 60% desde o início do conflito.

A reunião marca também o fim de uma era: é a última presidida por Jerome Powell, que deixa o comando do Fed em 15 de maio, após oito anos no cargo.

Inflação elevada e combustível como estopim

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou, em comunicado, que a inflação americana “está elevada, refletindo, em parte, o recente aumento nos preços globais de energia”. A atividade econômica segue em expansão em ritmo sólido, mas a criação de empregos permaneceu baixa e o desemprego pouco mudou nos últimos meses.

Com o Brent acima de US$ 118 — o barril chegou a bater US$ 120 no pico, maior nível desde 2022 —, a pressão sobre os preços ao consumidor é direta. Dados da associação automobilística AAA mostram que a gasolina nos EUA já subiu mais de 40% desde que Trump iniciou a guerra.

O presidente americano tem buscado formas de conter a alta da commodity, ciente do impacto sobre o eleitorado com as legislativas de meio de mandato marcadas para novembro. Chegou a pedir apoio de países aliados para monitorar o Estreito de Ormuz — solicitação rejeitada por europeus e asiáticos — e depois ordenou à Marinha que bloqueasse navios petroleiros ligados ao Irã na região.

A saída de Powell e a chegada de Warsh

Esta é a 11ª decisão de juros desde que Trump assumiu como 47º presidente, em janeiro de 2025, período em que ocorreram três cortes. A partir de junho, o Fed deve ter nova liderança: o economista Kevin Warsh, indicado por Trump, teve seu nome aprovado por um comitê do Senado nesta mesma quarta-feira, antes de seguir ao plenário para votação final.

A próxima reunião do Fed está marcada para os dias 16 e 17 de junho. A indicação de Warsh, porém, já havia gerado controvérsia: o economista sinalizou que a independência do Fed não se estenderia a todas as funções da instituição — apenas às decisões de política monetária.

Powell ainda pode permanecer como diretor do Fed até janeiro de 2028, mas não anunciou publicamente se seguirá no cargo. Ao longo dos últimos anos, Trump intensificou as críticas ao economista, com xingamentos recorrentes como “mula”, “cabeça oca” e “estúpido”.

Trump avança sobre o conselho do Fed

No segundo semestre de 2025, Trump passou a indicar nomes alinhados à sua agenda para a diretoria do banco central. Além de Warsh para a presidência, nomeou Stephen Miran para substituir Adriana Kugler, que antecipou a saída em agosto. A Suprema Corte ainda analisa se o republicano pode demitir a diretora Lisa Cook.

Caso consiga maioria no conselho de sete membros, Trump ampliaria sua influência sobre as decisões de juros e as nomeações nos 12 bancos regionais do sistema — expandindo significativamente o controle da Casa Branca sobre a política monetária americana.

Efeitos no Brasil

Juros americanos elevados tornam as Treasuries — títulos públicos dos EUA — mais atraentes ao investidor estrangeiro, direcionando capital para os EUA, fortalecendo o dólar e pressionando o real para baixo. O movimento alimenta a inflação brasileira e reduz o espaço do Banco Central do Brasil para afrouxar sua própria política.

A decisão do Fed ocorreu no mesmo dia em que o Copom se reuniu para definir a Selic — e a manutenção dos juros americanos em patamar elevado é um dos fatores que estreitam a margem do BC brasileiro para cortar sua taxa básica.

A lógica é a mesma que o diretor de Política Monetária do BC já havia descrito em abril: o petróleo mais caro alimenta a inflação global e, por tabela, fecha a janela para reduções da Selic no Brasil.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
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