O mercado financeiro global segue atento a cortes de juros, eleições e decisões políticas nos EUA e no Brasil em 2024. Especialistas destacam que a desaceleração econômica e a situação do mercado de trabalho influenciam o cenário. Incertezas fiscais e possíveis interferências de Donald Trump no Federal Reserve também preocupam investidores.
Enquanto o Banco Central brasileiro avalia espaço para cortes nos juros, a Suprema Corte dos EUA analisa tarifas impostas por Trump e ações contra a independência do Fed. Projeções indicam que o ambiente continuará volátil nos próximos meses.
Cenário econômico e juros
A atividade econômica brasileira mostra sinais de desaceleração, mas o mercado de trabalho permanece aquecido, com desemprego baixo e massa salarial elevada, sustentando o consumo. Segundo o economista do Itaú, isso reduz o risco de recessão profunda e pode abrir espaço para cortes na taxa de juros pelo Banco Central.
Frasson, do BTG Pactual Portfolio Solutions, afirma que o Banco Central aguarda dados mais fracos do mercado de trabalho para discutir o início do ciclo de cortes, possivelmente no fim deste ano ou início do próximo.
Incertezas fiscais e políticas
O cenário fiscal brasileiro preocupa o mercado, principalmente com a proximidade de 2026 e discussões sobre o Orçamento público. Álvaro Frasson ressalta que a pauta fiscal ganhará peso nas decisões do mercado, com dúvidas sobre programas de transferência de renda e monitoramento das contas públicas.
No exterior, o ambiente também é de cautela, especialmente em relação aos EUA. Investidores acompanham as tarifas impostas por Donald Trump e possíveis investidas contra a independência do Federal Reserve (Fed).
Impactos das tarifas e Fed
Tarifas de Trump
A Suprema Corte dos EUA analisa a legalidade das tarifas impostas por Trump após recurso do Departamento de Justiça. Um tribunal de apelações havia considerado que Trump excedeu sua autoridade ao aplicar taxas com base em lei de emergência. O impacto direto das tarifas no PIB brasileiro é estimado em 0,1%, segundo Mário Mesquita, do Itaú Unibanco. A lista de exceções reduziu a tarifa média de 50% para 30%, e o Brasil pode redirecionar exportações, limitando os efeitos negativos.
Independência do Fed
Trump tentou demitir Lisa Cook, diretora do Fed, alegando fraude hipotecária, o que foi visto como ataque à independência do banco central. A Justiça dos EUA proibiu temporariamente a demissão, mas o governo recorreu. Se Trump influenciar cortes de juros sem respaldo técnico, a volatilidade e a incerteza podem aumentar globalmente.
Cortes de juros nos EUA
O Fed reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, para 4% a 4,25% ao ano, no primeiro corte em nove meses. O Itaú projeta três cortes em 2024, mas acredita que o ciclo será curto, pois a economia americana segue resiliente. Cortes de juros nos EUA podem fortalecer o real e atrair capital estrangeiro ao Brasil, mas interferências políticas preocupam o mercado.
Perspectivas para o Brasil
Analistas revisam para baixo as projeções de inflação para 2025, com o fortalecimento do real e sinais de desaceleração econômica. O PIB cresceu 0,4% no segundo trimestre, desacelerando em relação ao trimestre anterior. O desafio agora é identificar quando a política monetária começará a afetar o mercado de trabalho.