Tarcísio de Freitas se manifestou sobre as manifestações contra a PEC da Blindagem e a proposta de anistia a condenados pela tentativa de golpe. O governador criticou a PEC, apontando desconexão com a sociedade, mas defendeu a anistia como forma de paz dialogada. As declarações ocorreram após os protestos do último domingo.
Posicionamento de Tarcísio sobre PEC e anistia
Após três dias das manifestações, Tarcísio de Freitas comentou publicamente sobre os atos contrários à PEC da Blindagem e à anistia a condenados por envolvimento em tentativa de golpe. Ele afirmou que os protestos refletem um “sintoma de desconexão do que está sendo feito com vontade das pessoas”, referindo-se à PEC da Blindagem, que, segundo ele, nasceu para proteger o parlamento, mas se transformou em “outra coisa”.
O governador declarou: “Algo que nasceu para ser um remédio para proteger o parlamento, aquilo que a Constituição trouxe, a imunidade formal, material do parlamentar, a imunidade ou garantia que o parlamentar tem que ter de exercer o seu mandato livremente, com independência, se transformou em outra coisa”. Para ele, essa distorção levou a população a perceber um caminho de privilégio à impunidade, gerando revolta.
Por outro lado, Tarcísio defendeu a proposta de anistia, argumentando que ela representa uma “paz dialogada” e não estímulo à impunidade. Ele pediu sabedoria para lidar com pessoas que tiveram apenamentos desproporcionais, citando os envolvidos nos eventos de 8 de janeiro. “Acho que temos remédios jurídicos para resolver isso. E sempre acreditei que o PL pode representar o que a gente espera: uma paz dialogada”, afirmou.
Sobre alternativas à anistia ampla, como a dosimetria, Tarcísio disse esperar “que seja feito o melhor para as pessoas do 8 de janeiro e todo mundo que teve apenamento injusto, inclusive Bolsonaro”.
Repercussão política e próximos passos
O governador modulou seu discurso em relação ao ato de 7 de setembro, quando defendeu anistia ampla e chamou o ministro Alexandre de Moraes de tirano. Nas últimas semanas, Tarcísio intensificou articulações pela anistia, reunindo-se com lideranças partidárias no Palácio dos Bandeirantes e viajando a Brasília. Uma nova viagem à capital federal, prevista para 15 de setembro, foi cancelada, pois, segundo ele, o esforço necessário já havia sido feito.
A PEC da Blindagem segue em elaboração no Congresso. O relator Paulinho da Força realiza reuniões com bancadas para discutir a proposta de redução de penas. Tarcísio também visitará o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão domiciliar, após autorização judicial.
Declarações de Hugo Motta
O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou em São Paulo que “é o momento de tirar da frente todas essas pautas tóxicas”, referindo-se à PEC e ao projeto de anistia. Motta destacou que a Câmara teve uma das semanas mais desafiadoras e que o foco deve ser em temas como reforma administrativa, imposto de renda e segurança pública.
Segundo Motta, a votação sobre a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil deve ocorrer na próxima semana. Ele ressaltou o respeito às manifestações populares e afirmou que a democracia está viva. Sobre a PEC da Blindagem, disse que respeitará a decisão do Senado, mas a Câmara defende o exercício parlamentar.