O preço do café brasileiro caiu até 11% em setembro, conforme análise da USP. A queda é atribuída à expectativa de safra recorde, clima favorável e demanda internacional em desaceleração.
Entre 15 e 22 de setembro, o indicador Cepea/Esalq do café arábica recuou 10,2%, fechando a R$ 2.133,08 em São Paulo. Já o robusta caiu 11,1%, encerrando a R$ 1.313,22 no Espírito Santo.
Apesar da retração, os preços seguem elevados, mas produtores e investidores monitoram o cenário diante das tarifas dos EUA e possíveis mudanças climáticas.
Fatores que pressionam o mercado
A previsão de uma safra maior que a anterior levou produtores a antecipar vendas, elevando a oferta e pressionando as cotações. O clima favorável nas principais regiões produtoras do Brasil contribui para a expectativa de alta produtividade.
A demanda global desacelerou, especialmente em mercados como Estados Unidos e Europa, onde o consumo cresce mais lentamente. Isso impacta diretamente as cotações do café brasileiro.
Segundo o Cepea, apesar da queda recente, os preços do café podem se estabilizar ou subir caso ocorram mudanças climáticas adversas ou se a demanda internacional voltar a crescer.
Variações recentes nos preços
Em agosto, o café robusta teve aumento de 43%, fechando a R$ 1.469,43 no Espírito Santo, enquanto o arábica subiu 26,3%, encerrando a R$ 2.287,56 em São Paulo. O impulso veio do estoque ajustado e do volume limitado após o término da colheita.
Impacto das tarifas e redirecionamento de mercados
O setor cafeeiro brasileiro enfrenta incertezas após a imposição de tarifa de 50% pelos Estados Unidos, principal destino das exportações do grão. A medida, em vigor desde 6 de agosto, pode forçar o Brasil a buscar novos mercados, exigindo agilidade logística e estratégia comercial.
Em 2024, o Brasil respondeu por 23% das compras de café dos EUA, seguido pela Colômbia (17%) e Vietnã (4%). A Colômbia permanece isenta da nova tarifa e o Vietnã negocia alíquota reduzida de 20% para o robusta.
Pesquisadores do Cepea alertam que a elevação do custo de importação nos EUA compromete a cadeia interna e pode impactar blends tradicionais. Renato Ribeiro, do Cepea, defende a exclusão do café do pacote tarifário para garantir a sustentabilidade do setor brasileiro e a estabilidade do abastecimento norte-americano.
No curto prazo, a comercialização da safra 2025/26 avança lentamente, com produtores vendendo volumes mínimos à espera de definições sobre o cenário tarifário. Persistem incertezas quanto às importações brasileiras de frutas frescas diante da nova conjuntura global.