O aumento expressivo no preço do café no Brasil em 2025 levou 24% dos brasileiros a reduzirem o consumo da bebida, segundo pesquisa do Instituto Axxus para a Abic. O levantamento ouviu 4.200 pessoas em setembro e revela que a escolha por marcas mais baratas cresceu de 7% para 39% desde 2019.
O café permanece presente no cotidiano, mas a frequência de compra caiu e o preço tornou-se o principal critério de decisão para os consumidores, que buscam alternativas diante da disparada nos valores.
Impacto do preço no comportamento dos consumidores
O aumento do preço do café, que chegou a R$ 62,83 o quilo em agosto de 2025 segundo a Abic, quase o dobro do valor registrado dois anos antes, alterou significativamente os hábitos dos brasileiros. A pesquisa mostra que 24% dos consumidores diminuíram o consumo, superando, pela primeira vez, os que aumentaram (2%).
O critério de compra também mudou: em 2025, 39% dos entrevistados afirmaram optar pela marca mais barata da prateleira, enquanto em 2019 esse índice era de apenas 7%. Antes, a escolha era feita entre marcas favoritas, priorizando o menor preço entre elas.
Apesar dessas mudanças, a taxa de brasileiros que consomem café diariamente permanece alta (96%), com 44% tomando entre três e cinco xícaras de 50 ml por dia. “A pesquisa revela que o consumidor não abre mão da bebida, mas está adaptando seus hábitos ao novo contexto econômico”, afirma Sérgio Parreiras Pereira, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e coautor do estudo.
Fatores que pressionam os preços
O aumento do preço do café é atribuído a uma combinação de fatores. Entre eles, destaca-se o tarifaço de 50% imposto pelos EUA sobre o café brasileiro, que elevou os preços na bolsa de Nova York, referência global para o grão. Além disso, os estoques mundiais estão baixos devido a quatro anos consecutivos de queda na colheita dos principais produtores, consequência de problemas climáticos.
No Brasil, a produção de café arábica caiu neste ano, agravada por geadas no Cerrado Mineiro, que resultaram em prejuízo de 424 mil sacas (25 mil toneladas), segundo a StoneX Brasil. O IBGE aponta que o valor da bebida subiu 60,85% nos últimos 12 meses, apesar de pequenas quedas em julho e agosto.
A Abic prevê que os preços devem subir cerca de 15% nas próximas semanas, pois a indústria paga mais caro pelo café vindo das fazendas. O levantamento, realizado desde 2019 a cada dois anos, indica que os consumidores estão cada vez mais atentos ao custo-benefício, priorizando preço e qualidade na hora da compra.