Economia

Preço do café ao consumidor registra primeira queda após 16 meses de alta

Redução de 0,5 por cento em julho de 2025 interrompe sequência de aumentos e alivia orçamento das famílias

O preço do café ao consumidor caiu em julho de 2025, interrompendo 16 meses consecutivos de alta, segundo o IBGE e o IPCA.

A redução de 0,5% é atribuída à melhora na oferta interna e à estabilização dos preços internacionais.

Especialistas apontam que a tendência de queda pode se manter, dependendo do clima e da demanda global.

Queda inédita após longa sequência de altas

Em julho de 2025, o preço do café ao consumidor apresentou uma redução de 0,5% em relação ao mês anterior, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa queda interrompe uma sequência de aumentos que vinha desde março de 2024. O movimento é atribuído à melhora na oferta do produto no mercado interno, resultado da recuperação das plantações após um período de seca, e à estabilização dos preços internacionais do café.

De acordo com o indicador de inflação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o IPC, essa é a primeira queda no preço ao consumidor desde setembro de 2024. Entre 16 de junho e 15 de julho, o café em pó teve redução de 0,18% em comparação ao período anterior.

Impacto no bolso do consumidor

A redução do preço pode aliviar o orçamento das famílias brasileiras, que vinham sentindo o impacto dos aumentos sucessivos do café. Apesar da queda, o produto ainda está 86,5% mais caro do que há um ano. Economistas já previam, em junho, que os preços começariam a cair no segundo semestre, devido ao início da colheita no Brasil, que vai de março a setembro, com maior intensidade em junho e julho.

Cenário do mercado e projeções

A tendência é de que os preços continuem em queda, impulsionados pelo avanço da safra. No entanto, há incertezas quanto ao impacto da tarifa de 50% imposta pelo presidente dos EUA, Donald Trump, aos produtos brasileiros, o que pode influenciar os preços internos.

O setor aguarda negociações do governo brasileiro com os EUA, que representam 16% das exportações de café do Brasil e são o maior cliente do produto nacional. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) aponta que outros mercados, como China, Índia, Indonésia e Austrália, podem absorver parte da produção brasileira, já que são grandes consumidores e importadores do café nacional.

O mercado de café segue atento às condições climáticas nas principais regiões produtoras, ao câmbio e à demanda global, fatores que podem influenciar as próximas variações de preço.