Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou nesta segunda-feira (22) as manifestações realizadas no domingo (21) em diversas cidades do Brasil contra a PEC da Blindagem e o projeto de anistia. O presidente destacou que o direito de protestar fortalece a democracia e comparou os atos ao processo de redemocratização do país.
Lula agradeceu a todos que participaram das mobilizações e ressaltou a importância do engajamento popular na defesa de um Brasil mais democrático e soberano.
Manifestações reúnem milhares pelo país
Os protestos aconteceram em todas as 27 capitais brasileiras, além de cidades do interior, reunindo milhares de pessoas. Em São Paulo, o ápice do ato contou com 42,4 mil participantes, segundo pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). No Rio de Janeiro, 41,8 mil pessoas se reuniram em Copacabana, onde artistas como Maria Gadú, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan e Caetano Veloso se apresentaram em apoio à causa.
As manifestações foram convocadas por movimentos de esquerda e tiveram como pauta central a defesa da democracia, dos direitos sociais e das políticas públicas. O objetivo principal foi protestar contra a PEC da Blindagem e o projeto de anistia para condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Lula destaca importância do movimento
Em mensagem publicada em uma rede social, Lula afirmou: “Quero saudar todos os artistas que se uniram ontem [domingo] a dezenas de milhares de pessoas nas ruas de todo o Brasil para defender a justiça e lutar contra a impunidade e a anistia”. O presidente ainda ressaltou que o movimento o fez lembrar do processo de redemocratização, na década de 1970, e das Diretas Já, na década de 1980.
Lula reforçou: “Essa é a maior de todas as artes: o espetáculo da democracia. Parabenizo também a cada brasileiro e cada brasileira que participou desta mobilização nas ruas e nas redes para defender um Brasil mais democrático e soberano”.
Entenda a PEC da Blindagem e o projeto de anistia
A PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara dos Deputados na última semana, busca proteger parlamentares contra a abertura de processos penais no Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta ainda precisa ser avaliada pelo Senado. Críticos argumentam que a medida pode inviabilizar a abertura de ações penais contra deputados e senadores, pois, em situações anteriores, apenas um processo foi autorizado pelo Legislativo.
No Senado, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), afirmou à GloboNews que pretende pautar o texto na próxima reunião do colegiado para “sepultar de vez esse assunto”.
Já o projeto de anistia, chamado de “PL da Dosimetria” pelo relator deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), propõe reduzir as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela trama golpista. O tema tem gerado debates intensos no Congresso e entre a sociedade civil, que vê riscos à responsabilização dos envolvidos nos ataques à democracia.
Repercussão política e social
Líderes políticos e representantes da sociedade civil destacaram a importância do diálogo e do respeito às instituições democráticas. Para eles, a mobilização popular é fundamental para a construção de um país mais justo e igualitário.