Após ser alvo de manifestações no domingo (21), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), recebe orientações para focar em pautas de interesse da população. Os protestos criticaram sua condução de projetos como a anistia e a PEC da Blindagem.
O governo vê oportunidade para avançar na agenda econômica, especialmente na votação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, prioridade do presidente Lula.
Durante as manifestações do dia 21, Hugo Motta foi retratado por movimentos de esquerda como responsável por pautas que beneficiam parlamentares e bolsonaristas. Entre as principais críticas estão a votação da PEC da Blindagem, que protege parlamentares sob investigação, e o requerimento de urgência para o projeto de anistia aos condenados pela tentativa de golpe.
Essas ações geraram forte reação de movimentos progressistas e artistas, que mobilizaram apoiadores para protestar nas ruas contra a aprovação desses projetos. O Palácio do Planalto avalia que o desgaste de Motta pode favorecer a tramitação de pautas econômicas do governo.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, pretende solicitar a votação imediata do projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, considerado prioridade por Luiz Inácio Lula da Silva neste semestre legislativo.
Aliados de Hugo Motta afirmam que ele enfrenta consequências por ceder à pressão do Centrão e de apoiadores de Jair Bolsonaro, ao pautar a PEC da Blindagem e a anistia. Os protestos de domingo, organizados rapidamente a partir da quinta-feira anterior, tiveram grande adesão em várias cidades, animando o governo Lula.
O destaque do governo foi para o fato de as manifestações terem surgido de mobilização popular, sem participação oficial de autoridades. A presença expressiva do público, comparável à de eventos bolsonaristas, demonstrou força dos movimentos de esquerda e de setores da população críticos ao Congresso, especialmente à direita.