O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (22) que é hora de afastar “todas essas pautas tóxicas” do Congresso.
A declaração ocorre um dia após manifestações em todas as capitais contra a PEC da Blindagem e o projeto de anistia, aprovados em regime de urgência na Câmara.
Motta defendeu que o Brasil priorize temas como reforma administrativa, imposto de renda e segurança pública.
Reação às manifestações e contexto das votações
As manifestações nacionais, realizadas em todas as capitais, foram uma resposta direta à aprovação na Câmara da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) conhecida como PEC da Blindagem, que dificulta processos contra parlamentares, e à tramitação em regime de urgência do projeto de lei da anistia.
Segundo Hugo Motta, “o Brasil tem que olhar pra frente, tem que discutir aquilo que realmente importa, que é uma reforma administrativa, questão do imposto de renda, da segurança pública”.
As votações dessas matérias foram pautadas por Motta para cumprir acordo firmado com bolsonaristas e o Centrão, após motim ocorrido em agosto. Na ocasião, parlamentares dessas alas tomaram as mesas diretoras da Câmara e do Senado, em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Motta contou com o apoio de Arthur Lira (PP-AL), liderança do Centrão e ex-presidente da Câmara, para consolidar o acordo e viabilizar as votações.
Interesses políticos e repercussão
O Centrão busca aprovar a PEC da Blindagem para tentar conter investigações contra parlamentares, especialmente aquelas relacionadas a emendas, com mais de 80 deputados sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). Já os bolsonaristas pressionam pela anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na semana passada, ambos os grupos uniram forças para pautar a PEC e a urgência da anistia, permitindo que os temas fossem levados diretamente ao Plenário, sem análise prévia das comissões.
De acordo com o blog da Andréia Sadi, a repercussão negativa das aprovações reduziu as chances de a PEC da Blindagem avançar no Senado, pelo menos no momento.