O governo Lula avalia que a aprovação da urgência da anistia articulada por Hugo Motta e o Centrão foi retaliação ao Palácio do Planalto. O movimento teria sido resposta à orientação de Lula para o PT votar contra a PEC da Blindagem. A decisão abalou a relação entre o presidente e Motta, e aumentou o temor de aprovação da anistia a Jair Bolsonaro.
Avaliação do Planalto sobre a retaliação
Na segunda-feira (15), Hugo Motta informou a Lula, durante almoço no Palácio da Alvorada, que pretendia pautar a PEC da Blindagem e, em seguida, derrubar a urgência da anistia, além de votar uma proposta de redução de penas aos condenados pela trama golpista. Motta alegou ao presidente que havia um acordo com o Supremo Tribunal Federal (STF) e pediu apoio do governo. Lula respondeu que não apoiaria a PEC, considerando-a anacrônica e ruim para o país, mas afirmou que o Planalto não interferiria nas discussões.
No decorrer da semana, Motta e o Centrão passaram a cobrar apoio da bancada petista. Inicialmente, a executiva do partido, orientada por Edinho Silva, tendia a votar a favor. No entanto, após intervenção direta de Lula, o PT foi orientado a votar contra, devido à impopularidade do tema. A mudança irritou Motta e o Centrão, que se alinharam à oposição.
Preocupações e críticas após avanço da anistia
Auxiliares de Lula afirmam que a votação da urgência abalou a relação do presidente com Hugo Motta, dissipando a pouca confiança existente. O Planalto avalia que a fragilidade das posições de Motta aumenta o risco de aprovação da anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula sinalizou, em almoço com a bancada do PDT na quarta-feira (17), que não se opõe a discutir redução de penas aos golpistas, mas considera o momento inadequado para levar o tema ao plenário. Para ele, o assunto deveria ser tratado após o trânsito em julgado de todos os réus.
Críticas ao STF e bastidores do acordo
Uma ala do governo critica ministros do STF por terem feito acordo com Motta e o Centrão, que previa a derrubada da urgência da anistia e aprovação da redução de penas, sob relatoria de Arthur Maia. Após a aprovação da urgência, Motta escolheu Paulinho da Força como relator, deputado próximo ao ministro Alexandre de Moraes. No Planalto, a interpretação é que Motta buscou aceno ao ministro após romper o combinado.
Um auxiliar de Lula, sob reserva, afirmou: “O governo foi atropelado pelo acordo entre o Supremo e a cúpula da Câmara. Essa conta está 100% no colo do STF agora. Quem foi fazer acordo com essa gente foram eles.”