Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, reuniu-se nesta segunda-feira (22) com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. O deputado reafirmou que seguirá defendendo a anistia ampla, geral e irrestrita aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, apesar das manifestações ocorridas no domingo.
A reunião foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Sóstenes declarou que continuará articulando sua proposta de anistia, que abrange casos desde 2019, tendo como marco o inquérito das fake news.
Articulação política e bastidores
O texto da proposta de anistia elaborado por Sóstenes Cavalcante ainda não foi protocolado formalmente, mas já foi apresentado internamente a lideranças do PL. Segundo a minuta, a anistia poderia ser concedida a investigados desde 2019, abrangendo tanto quem já é alvo de investigações quanto quem possa vir a ser, usando como referência o inquérito das fake news.
Sóstenes tem se posicionado como principal contraponto à proposta de redução de penas, defendida por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto. Na sexta-feira (19), o líder do PL afirmou não aceitar a substituição da anistia por redução de pena. “Onde já se viu alguém da direita votar para reduzir pena? Quem reduz pena é a esquerda. Não aceitamos. Ele vai sentar conosco semana que vem bancada do PL para falarmos disso. Não entrei em mérito com ele ainda”, declarou Sóstenes ao blog da Andréia Sadi.
O deputado também afirmou: “Ou aprova a anistia ou Paulinho pede para sair”.
A avaliação nos bastidores do Congresso é que a defesa da anistia deve continuar, mesmo que não ultrapasse o discurso político. A manutenção dessa pauta atende aos interesses do bolsonarismo, especialmente em um ano que antecede as eleições, sendo considerada um ativo político importante para possíveis candidatos do grupo.
Além disso, a insistência na anistia demonstra uma estratégia de diferenciação em relação à proposta de redução de penas, reforçando a identidade e as demandas do eleitorado alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.