O clima entre o PL e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deteriorou-se após críticas públicas e acusações. Em entrevista, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, afirmou que Alcolumbre trabalha para o Supremo. O episódio intensificou a rejeição a projetos como a PEC da Blindagem e a anistia aos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Após um desabafo de Davi Alcolumbre, que criticou publicamente o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e, em reunião fechada, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a relação entre os grupos se deteriorou ainda mais. Em entrevista a uma rádio de Minas Gerais, Costa Neto acusou Alcolumbre de atuar em benefício do Supremo Tribunal Federal, afirmando: “Davi Alcolumbre trabalha para o Supremo, não trabalha para nós. Mas vai pagar caro por causa disso. Vai pagar caro se ele não se comportar como tem de se comportar, como um presidente do Senado tem que se comportar”.
Valdemar Costa Neto também declarou que o comportamento de Alcolumbre pode inviabilizar sua reeleição em 2027 e ameaçou obstruir os trabalhos no Senado caso a pauta da anistia não avance. O presidente do Senado preferiu não responder diretamente aos ataques, mas interlocutores próximos afirmaram que esse tipo de ameaça não surte efeito sobre Alcolumbre.
Repercussão no Senado
Segundo aliados de Davi Alcolumbre, as declarações de Valdemar Costa Neto e de Eduardo Bolsonaro tendem a aumentar a resistência no Senado tanto à PEC da Blindagem quanto ao projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A avaliação é que a postura confrontadora do PL pode dificultar ainda mais o andamento dessas propostas na Casa.
O episódio evidencia o acirramento das disputas políticas internas e expõe a fragilidade das negociações entre os principais líderes partidários do Congresso, especialmente em temas sensíveis como anistia e proteção de parlamentares.