Um relatório da Organização Meteorológica Mundial divulgado nesta quinta-feira (18) alerta para o aumento de secas e enchentes em todo o mundo. O documento aponta que apenas um terço das bacias hidrográficas globais registrou condições normais em 2024.
No Brasil, a estiagem atingiu 59% da Amazônia, enquanto enchentes no Sul deixaram 183 mortos. O fenômeno El Niño e o ano mais quente já registrado contribuíram para esses extremos.
Relatório destaca desequilíbrio hídrico global
O relatório “Estado dos Recursos Hídricos Globais 2024”, publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão vinculado à ONU, revela que o planeta enfrenta um ciclo de água cada vez mais instável. Apenas um terço das bacias hidrográficas do mundo apresentou condições normais no último ano; o restante sofreu com excesso ou escassez de água.
O estudo aponta que 2024 foi o ano mais quente já registrado, com o El Niño exercendo papel central nos extremos climáticos. Foi também o terceiro ano consecutivo em que todos os glaciares monitorados perderam massa, o que equivale ao derretimento de água suficiente para encher 180 milhões de piscinas olímpicas, contribuindo para a elevação do nível do mar.
“A água sustenta nossas sociedades, movimenta a economia e é essencial para os ecossistemas. Mas está cada vez mais sob pressão, e os eventos extremos estão afetando milhões de pessoas. Sem dados confiáveis, estamos voando às cegas”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.
Impactos no Brasil e em outras regiões
No Brasil, os extremos se repetiram em 2024. A estiagem na Amazônia, iniciada em 2023, atingiu 59% do território nacional, comprometendo rios, transporte fluvial e comunidades inteiras. Os principais reservatórios do país enfrentam seca há uma década, evidenciando falhas no modelo do ONS, que desconsidera os efeitos da crise climática e utiliza séries históricas antigas.
Especialistas alertam para o aumento do risco de apagões e para o encarecimento da conta de luz, pressionada pela bandeira vermelha patamar 2 devido ao baixo nível dos reservatórios. No Sul do Brasil, enchentes deixaram 183 mortos e milhares de desabrigados, configurando uma das maiores tragédias climáticas do país.
O relatório também cita secas severas no sul da África, enchentes históricas na Europa, ciclones recordes na Ásia e chuvas intensas no Sahel, na África Ocidental. Segundo a OMM, esse padrão de extremos hídricos é cada vez mais recorrente e preocupante, tornando-se parte do “novo normal” em um planeta mais quente.