A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU, informou que o El Niño deve se intensificar e alcançar força elevada entre agosto e outubro de 2026, elevando as temperaturas em grande parte do planeta.
Modelos da entidade apontam que a temperatura da superfície do mar pode superar em mais de 2,9°C a média histórica em áreas do Oceano Pacífico usadas para monitorar o fenômeno.
No Brasil, a tendência é de mais chuva no Sul e de períodos mais secos no Norte e no Nordeste nos próximos meses.
Dipolo do Oceano Índico deve ampliar riscos de seca e enchente
Além do fortalecimento do El Niño, a OMM prevê a formação de um Dipolo Positivo do Oceano Índico, padrão que surge quando as águas do lado oeste desse oceano ficam mais quentes que o normal, enquanto a região leste registra temperaturas abaixo da média.
A atuação conjunta dos dois fenômenos pode ampliar os impactos sobre chuvas e temperaturas, sobretudo nos países próximos ao Oceano Índico. O Atlântico Tropical também deve seguir mais quente do que o normal nos próximos meses, segundo a organização.
Efeitos desiguais no território brasileiro
No Brasil, a tendência histórica se repete: o Sul deve registrar volume maior de chuvas, enquanto o Norte e o Nordeste correm risco de enfrentar períodos mais secos. Especialistas apontam ainda maior probabilidade de dias de calor prolongado, principalmente na primavera e no verão.
Para a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, o cenário atual — de calor oceânico sem precedentes — funciona como alerta antecipado. “Este El Niño oferece aos governos e às comunidades uma oportunidade para antecipar os riscos e agir antes que os impactos ocorram”, afirmou.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou o alerta ao dizer que o fenômeno deve acrescentar ainda mais calor a um planeta que já enfrenta ondas de calor intensas, incêndios extremos e temperaturas recordes nos oceanos.
A intensificação do El Niño já influencia decisões concretas no Brasil. Em julho, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) antecipou contratos de energia para reforçar o sistema elétrico a partir de setembro — decisão que ganha ainda mais peso com a nova projeção da OMM apontando o pico do fenômeno justamente entre agosto e outubro (leia mais).
O setor agrícola também está no radar. Com o fenômeno a caminho de uma força elevada, analistas já projetam impacto direto sobre safras de café, milho e laranja, com risco concreto de encarecimento de alimentos nos supermercados ao longo de 2027 (saiba mais).
A OMM afirma que pretende divulgar, no início de setembro, uma atualização mais detalhada sobre o El Niño e a La Niña, com avaliação mais completa da evolução do fenômeno e de seus possíveis efeitos nos meses seguintes.
