Deputados federais que votaram a favor da PEC da Blindagem classificaram a decisão como um erro grave e pediram desculpas à população. A proposta, aprovada em dois turnos na Câmara, busca ampliar a proteção judicial de parlamentares e gerou forte reação negativa tanto no Congresso quanto na sociedade civil.
Alguns deputados afirmaram ter cedido a pressões e admitiram não ter analisado o texto adequadamente antes da votação, prometendo rever suas posições e apoiar ações para anular a decisão.
Reações e justificativas dos deputados
Após a aprovação da PEC da Blindagem na Câmara dos Deputados, vários parlamentares utilizaram as redes sociais para se desculpar pelo voto favorável. A deputada Silvye Alves (União Brasil-GO) declarou que sua decisão foi um “erro gravíssimo” e relatou ter sofrido pressões de “pessoas influentes do Congresso” que ameaçaram retaliações caso votasse contra a proposta. “Eu fui covarde e cedi à pressão, por volta de quase 23h, eu mudei meu voto […]. Eu quero pedir perdão”, afirmou Silvye.
Merlong Solano (PT-PI) também se manifestou, classificando seu voto como um “grave equívoco” e pedindo desculpas ao povo do Piauí e ao Partido dos Trabalhadores. Ele justificou que buscava preservar o diálogo com a presidência da Câmara e viabilizar pautas importantes, como a isenção do Imposto de Renda e o Plano Nacional de Educação. Merlong reconheceu que o acordo político foi rompido e que a votação ocorreu sob “sérias irregularidades”, incluindo a volta do voto secreto. Após a aprovação, assinou um mandado de segurança ao STF para anular a votação.
Pedro Campos (PSB-PE), irmão do prefeito do Recife, também explicou seu voto, dizendo que visava impedir o boicote a pautas do governo Lula, como a ampliação da tarifa social de energia. Ele admitiu que a estratégia “não foi o melhor caminho” e também assinou um mandado de segurança para anular a votação e a manobra que restabeleceu o voto secreto.
Detalhes da PEC da Blindagem
A proposta aprovada prevê que, em caso de prisão em flagrante por crime inafiançável, a decisão de manter ou não a prisão será feita por votação secreta entre parlamentares. Para abertura de processo criminal, o STF precisará de autorização da Câmara ou do Senado, com votação aberta em até 90 dias. A PEC também determina que apenas o STF pode impor medidas cautelares a parlamentares e amplia o foro privilegiado para presidentes de partidos com representação no Congresso.
Repercussão e próximos passos
A aprovação da PEC da Blindagem provocou tensão no Congresso e críticas de opositores e da sociedade civil, que consideram a medida um retrocesso no combate à corrupção e à impunidade. O texto foi aprovado na Câmara por 353 a 134 votos no primeiro turno e 344 a 133 no segundo, seguindo agora para análise do Senado, onde deve enfrentar resistência.
No dia seguinte à votação, a Câmara aprovou regime de urgência para o projeto que anistia condenados pelo 8 de Janeiro, o que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Deputados que se arrependeram do voto na PEC agora apoiam ações judiciais para anular a votação, especialmente devido à reintrodução do voto secreto, considerada irregular.
O debate sobre a extensão da imunidade parlamentar e o foro privilegiado permanece intenso, com setores da sociedade exigindo maior transparência e responsabilização dos representantes eleitos.