A bancada do PT na Câmara decidiu majoritariamente votar contra a PEC da Blindagem após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intervir, destacando a impopularidade da medida. A mudança ocorreu horas antes da votação, após reunião de Lula com Edinho Silva, presidente nacional do partido.
O líder do PT, Lindbergh Farias, orientou o voto contrário, enquanto o governo liberou a base. O resultado final foi 51 votos contrários e 12 favoráveis entre os petistas.
Em reunião realizada ontem, Lula afirmou que a PEC da Blindagem não era pauta do Executivo, mas ressaltou que seria prejudicial ao PT apoiar a proposta. Edinho Silva repassou o recado à bancada, influenciando diretamente a decisão dos deputados.
Nos dias anteriores, havia um acordo entre a cúpula da Câmara, deputados do centrão e do PT para aprovar a PEC em troca da rejeição da proposta de anistia aos golpistas. O plano era aprovar a PEC e, em seguida, barrar a urgência da anistia, enfraquecendo a principal pauta da oposição.
Inicialmente, a tendência era o PT votar a favor da PEC, mas a orientação de Lula mudou o cenário. O líder do governo, Odair Cunha, liberou os deputados da base, mantendo a neutralidade do Executivo. Lindbergh Farias, líder do PT, orientou a bancada a votar contra, resultando em 51 votos contrários e 12 favoráveis.
Relatos indicam que alguns petistas votaram contra a PEC, mas atuaram nos bastidores para que colegas votassem a favor. Outros, contrários ao mérito, apoiaram a proposta por pragmatismo, citando a necessidade de gestos políticos e receio de consequências negativas, como afirmou um deputado: “No passado eu paguei para ver e teve o impeachment da Dilma. Paguei para ver, e o Lula foi preso. Não quis correr esse risco agora.”
Repercussão e bastidores
Nas redes sociais, o governo e os deputados petistas que votaram a favor da PEC foram criticados por apoiadores, que cobraram uma posição pública mais firme contra a proposta. Apesar disso, a avaliação interna do PT é de que a decisão foi acertada, considerando que críticas da sociedade civil à PEC podem se prolongar até 2026 e impactar as eleições.
Deputados do PT também avaliam que o centrão não tem real interesse em aprovar a anistia, pois isso poderia favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro e desagradar o Supremo Tribunal Federal. Um governista afirmou: “Vai [aprovar] nada, eles [centrão] não querem aprovar isso [anistia], é só conversa fiada para jogar a gente no debate”.
Por outro lado, aliados de Hugo Motta e parlamentares do centrão acusam o PT de descumprir acordos e ameaçam retaliar o governo aprovando a urgência da anistia.