Renan Calheiros e Arthur Lira ampliam sua rivalidade de Alagoas para o Congresso Nacional, disputando o protagonismo sobre a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Enquanto Lira relata o projeto do governo na Câmara, Renan busca pautar proposta alternativa no Senado, acirrando a disputa política e eleitoral.
Disputa pela isenção do IR
O embate entre Renan Calheiros (MDB-AL) e Arthur Lira (PP-AL) ganhou novo capítulo com a tramitação da proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. O governo Lula enviou o projeto em março à Câmara, ficando sob relatoria de Lira. Em julho, o deputado teve vitória na Comissão Especial, e em agosto o plenário aprovou urgência para o texto, mas a votação ainda não ocorreu.
Renan, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, critica a “lentidão inegável” na Câmara e pretende ressuscitar um projeto de 2019 apresentado por Eduardo Braga (MDB-AM), relatando-o e aproximando seu parecer do texto do governo. A discussão do texto alternativo começa na terça-feira (16) na CAE.
Aliados de Lira veem o movimento de Renan como “provocação” e apontam que a ministra Gleisi Hoffman tem defendido publicamente Lira e sua relatoria. Para eles, a tramitação lenta se deve à necessidade de compensação fiscal, já que a isenção exigirá taxação de rendas mais altas.
Rivalidade eleitoral e repercussões
A rivalidade entre Lira e Renan, ambos de grupos políticos opostos em Alagoas, deve se intensificar com a aproximação das eleições de 2026, quando ambos pretendem disputar o Senado. Duas vagas estarão em jogo, e os dois são os principais nomes cotados.
Aliados de Lira apontam incômodo de Renan com a suposta falta de resistência do governo à candidatura do rival. Enquanto as chapas são negociadas, Lula sinaliza apoio ou, ao menos, ausência de oposição a Lira.
Durante a tramitação na Câmara, Lira manteve a isenção para até R$ 5 mil e aumentou descontos progressivos para quem ganha até R$ 7.350, superando o texto original do governo, que previa até R$ 7 mil. Para 2026, a isenção custará R$ 25,8 bilhões e será compensada com alíquota progressiva de até 10% para rendas acima de R$ 600 mil anuais.