O governo teme que emendas e o clima tenso na Câmara dos Deputados prejudiquem a votação do projeto que amplia a isenção do imposto de renda, prevista para a próxima semana.
O relator Arthur Lira deve participar da reunião de líderes na terça-feira, mas a falta de consenso preocupa aliados.
Deputados governistas apostam na popularidade do projeto, mas receiam manobras da oposição e do Centrão para ampliar a faixa de isenção sem compensação financeira.
Principais entraves e articulações políticas
Um dos principais obstáculos para a votação do projeto é o pagamento das emendas parlamentares, especialmente as de comissão. Embora não sejam de execução obrigatória, essas emendas funcionam como moeda de troca na Câmara e no Congresso, já que nem todos os parlamentares têm acesso a esses recursos. Até o momento, apenas 2% dessas emendas foi empenhado: R$ 215 milhões de um total de R$ 11,5 bilhões autorizados. Segundo o Palácio do Planalto, a demora se deve à falta de envio de documentos necessários por parte dos parlamentares, o que estaria travando o pagamento.
Outro fator de tensão é a postura do PT em relação à PEC da Blindagem. O presidente da Câmara, Hugo Motta, esperava apoio do partido para aprovar a pauta, mas o PT orientou contra após intervenção do presidente Lula, gerando desconforto entre parlamentares do Centrão e possíveis reflexos nas próximas votações.
Além disso, o União Brasil, com 59 deputados, aprovou uma resolução exigindo que seus filiados deixem cargos no governo Lula em até 24 horas, após reportagens sobre suposta ligação do presidente do partido, Antonio de Rueda, com o PCC, o que ele nega. A bancada está dividida, mas cresce o número de deputados articulando pautas contrárias ao governo.
Desdobramentos e repercussões
Com a escolha do relator para o projeto da anistia nesta semana, o tema deve dominar as discussões na Câmara nos próximos dias. O deputado Paulinho da Força foi designado relator e pretende buscar consenso entre as bancadas.
Alguns governistas temem que o Centrão condicione a aprovação do projeto do imposto de renda ao apoio do governo em propostas como a redução de penas para condenados pela trama golpista.
Para deputados da base, partidos do Centrão avaliam que a aprovação da ampliação da isenção do imposto de renda pode fortalecer a popularidade do governo Lula, o que poderia prejudicar uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visto como favorito por legendas como União Brasil, PP, PSD, Republicanos e PL para as eleições de 2026.