Rafael Alcadipani, professor da FGV-SP, aponta que o PCC atua como uma empresa de logística ao controlar o Porto de Santos para exportar cocaína. O especialista defende uma desocupação criminal urgente no litoral de São Paulo e propõe mudanças estruturais no combate ao crime organizado.
Ele também apoia a ampliação da proteção a autoridades ameaçadas e sugere a criação de uma autoridade antimáfia para coordenar ações entre polícias e Receita Federal.
Controle estratégico do Porto de Santos
O domínio do PCC no litoral de São Paulo é motivado por interesses estratégicos, especialmente o controle do Porto de Santos, considerado ponto nevrálgico para as operações da facção. Segundo Rafael Alcadipani, o grupo funciona como uma “empresa de logística” para a exportação de cocaína, tornando fundamental o comando desse território.
Em entrevista ao Estudio i, Alcadipani enfatizou a gravidade da situação no litoral sul paulista, onde áreas inteiras estão sob influência do crime organizado. Ele afirmou: “É urgente que a gente faça uma desocupação criminal desse território.”
Propostas para proteção de autoridades
O especialista avaliou como urgente e necessária a proposta do governo de São Paulo para ampliar a proteção a autoridades ameaçadas pelo PCC. Ele defende que o Brasil precisa de legislação que garanta a segurança de juízes, promotores e policiais envolvidos no combate ao crime organizado, inclusive após a aposentadoria.
Alcadipani citou exemplos internacionais, como o Chile, que já oferecem esse tipo de proteção, e destacou: “Já passou da hora da gente ter algo nesse sentido.”
Necessidade de uma autoridade antimáfia
Além das medidas de proteção, Alcadipani propõe uma mudança estrutural no enfrentamento ao crime organizado. Ele sugere a criação de uma “autoridade antimáfia” no Brasil, que teria o papel de articular o trabalho das polícias e da Receita Federal, superando a atual disputa por protagonismo entre as agências.
Segundo o especialista, essa centralização permitiria um combate mais profissional e integrado ao crime organizado, aproximando o Brasil de práticas já adotadas em outros países. Alcadipani reforça que a cooperação entre instituições é essencial para enfrentar o poder das facções e garantir maior eficácia nas ações de segurança pública.