Política

MP de São Paulo firma acordo com órgão antimáfia da Itália para combater crime organizado

Parceria prevê cooperação permanente, troca de informações e investigações conjuntas entre Brasil e Itália

O Ministério Público de São Paulo e a Procuradoria Nacional Antimáfia e Antiterrorismo da Itália assinaram, nesta quarta-feira (25), um acordo para intensificar o combate a organizações criminosas.

A iniciativa inclui o compartilhamento de dados, intercâmbio de experiências e capacitação de membros e funcionários dos dois países.

O acordo surge após investigações conjuntas sobre tráfico internacional de drogas envolvendo o PCC e máfias italianas.

Detalhes da cooperação internacional

O acordo entre o MP de São Paulo e a Procuradoria Nacional Antimáfia e Antiterrorismo da Itália prevê a criação de equipes permanentes de investigação, compostas por promotores, procuradores e policiais. O objetivo é fortalecer o combate ao crime organizado e ao tráfico internacional de drogas, especialmente no eixo Brasil-Europa.

Durante a cerimônia, Giovanni Melillo, procurador nacional antimáfia e antiterrorismo, ressaltou a gravidade dos crimes enfrentados por ambos os países. O procurador distrital antimáfia de Turim, Giovanni Bombardieri, destacou a importância da cooperação contínua: “Chegar tarde significa não atacar esse grupo criminoso”.

Interrogatórios conjuntos e investigações

O acordo foi impulsionado após autoridades italianas convidarem procuradores brasileiros para participar das investigações sobre o tráfico internacional de drogas do PCC para a Europa. O traficante italiano Vincenzo Pasquino, preso no Brasil e extraditado, colaborou com a Justiça italiana e revelou detalhes do esquema, sugerindo interrogatórios conjuntos entre procuradores dos dois países.

Segundo documentos enviados pela Direção Nacional Antimáfia e Antiterrorismo da Itália, as drogas eram enviadas em grandes quantidades pelo mar, do Brasil para famílias mafiosas na Itália.

O papel do Brasil e de Vincenzo Pasquino

Vincenzo Pasquino, ex-líder da máfia calabresa Ndrangheta, foi apontado como o principal intermediário do tráfico de cocaína da América do Sul para a Itália. Ele atuou em parceria com o PCC e, possivelmente, com o Comando Vermelho, morando no Brasil desde 2017 e usando imóveis em São Paulo e no litoral para encontros com outros traficantes.

O delegado Fernando Santiago, do Denarc, detalhou que Pasquino utilizava apartamentos no Tatuapé, Morumbi e Guarujá como bases de operações, sendo constantemente acompanhado por seguranças albaneses.

Brasil como rota estratégica

Estudos de ONGs mostram que o Brasil, especialmente o estado de São Paulo e o porto de Santos, ocupa papel central no envio de cocaína à Europa. Mais da metade da droga apreendida no país passa pelo porto, que é considerado estratégico para o tráfico internacional.

O promotor Lincoln Gakiya destacou que a maior contribuição italiana é demonstrar que equipes coordenadas e integradas podem ser decisivas no enfrentamento do crime organizado, sugerindo que a iniciativa pode se expandir para outros países no futuro.