Política

PCC amplia atuação internacional e infiltra membros em presídios de 28 países

Facção paulista fortalece rede de tráfico de drogas e armas, usando prisões estrangeiras para recrutamento e lavagem de dinheiro

O PCC está presente em pelo menos 28 países, expandindo suas operações de tráfico de drogas e armas e infiltrando membros em presídios estrangeiros para recrutar novos integrantes. O mapeamento do Ministério Público de São Paulo, divulgado por GloboNews e g1, destaca a atuação da facção em quatro continentes e a necessidade de cooperação internacional para combater o crime organizado.

Além da América do Sul, a facção paulista investe em moradia fixa e recruta em cadeias de países como Portugal e Itália, ampliando sua influência global e fortalecendo sua estrutura financeira.

Expansão internacional e infiltração em presídios

O relatório do Ministério Público de São Paulo revela que o PCC está instalado em 28 países, incluindo Alemanha, Argentina, Bélgica, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Estados Unidos, França, Guiana Francesa, Guiana, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Itália, Japão, Líbano, México, Paraguai, Peru, Portugal, Sérvia, Suíça, Suriname, Turquia, Uruguai e Venezuela. A maioria dos integrantes no exterior concentra-se na América Latina, especialmente Paraguai, Venezuela, Bolívia e Uruguai, regiões estratégicas para o tráfico devido à proximidade com o Brasil e produção de cocaína.

A infiltração em presídios estrangeiros é uma marca registrada da facção, permitindo o recrutamento de novos membros e a expansão das operações criminosas. Em 2019, uma rebelião liderada pelo grupo na penitenciária de San Pedro, Paraguai, resultou em dez mortos e doze feridos.

Portugal como ponto estratégico

Portugal destaca-se como porta de entrada e moradia fixa de traficantes do PCC na Europa, devido à afinidade cultural e linguística. O país ocupa o quinto lugar em número de integrantes da facção e lidera em proporção na Europa, com registros de prisões em flagrante, apreensões de drogas e investigações sobre lavagem de dinheiro. Operações recentes apreenderam toneladas de cocaína e revelaram o uso de embarcações adaptadas para o transporte do entorpecente.

Conexões e cooperação internacional

A facção também atua em parceria com máfias italianas, especialmente na Calábria, para remessas de cocaína à Europa. A Itália é considerada uma das maiores preocupações das autoridades brasileiras, levando à assinatura de acordos inéditos de cooperação entre procuradores dos dois países para combater o narcotráfico.

Desafios da cooperação internacional

Especialistas como Roberto Uchoa, da Universidade de Coimbra, e Marcelle Figueira, do OSPC, apontam desafios na integração entre autoridades internacionais e estaduais. Uchoa destaca a dificuldade de explicar a dinâmica do PCC às autoridades europeias, enquanto Figueira defende a criação de um Ministério da Segurança Pública para fortalecer o combate ao crime organizado no Brasil.

O acordo entre Brasil e Interpol busca ações integradas para desarticular organizações criminosas, modernizar órgãos de segurança e proteger grupos vulneráveis. Portugal, com grande população brasileira e poucas barreiras linguísticas, facilita a infiltração do PCC, que utiliza estratégias como o recrutamento de mergulhadores para transportar cocaína em navios cargueiros.

Tráfico de armas e alerta para o terrorismo

A presença do PCC em países como Sérvia e Líbano está associada à logística de armas e lavagem de dinheiro, respectivamente. Relatórios do Coaf e do Ministério da Defesa de Israel indicam transações suspeitas de criptomoedas relacionadas ao financiamento do terrorismo, envolvendo fintechs e carteiras digitais monitoradas por bancos brasileiros.

Casos emblemáticos e repercussão

O traficante André do Rap, chefe do PCC, segue foragido desde 2020, sendo procurado pela Interpol e autoridades brasileiras. O fortalecimento financeiro da facção, com capitalização em euros e dólares, aumenta sua capacidade de corromper instituições e representa um perigo crescente para o Brasil.

O Japão também registra presença do PCC, que utiliza a região para expandir o tráfico de cocaína para a Ásia e Oceania, onde o valor da droga é elevado. A cooperação internacional, como o acordo firmado entre Brasil e Interpol em junho, é vista como fundamental para enfrentar o avanço do crime organizado transnacional.

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