Milton Salvador de Almeida Júnior negou ser sócio do Careca do INSS durante depoimento à CPMI, afirmando que apenas prestava serviços às empresas investigadas. Ele declarou nunca ter recebido dinheiro ilegal e explicou sua atuação como diretor financeiro, responsável por operações bancárias e emissão de notas.
O depoimento ocorreu após investigações apontarem sua ligação com o esquema de desvio de recursos de aposentados e pensionistas.
Depoimento e alegações
Durante a sessão da CPMI, Milton Júnior afirmou categoricamente: “Não sou, nunca fui e jamais serei [sócio do careca do INSS]. Sou prestador de serviços. Ele contratou minha empresa para prestar serviços à empresa dele. Jamais fui sócio de qualquer das empresas do Careca do INSS”. Segundo ele, sua função era de diretor financeiro, responsável por operações bancárias, contas a pagar e a receber, além de liderar a equipe financeira.
Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, é apontado pelas investigações como facilitador de um esquema que desviava recursos de aposentados e pensionistas. Milton Júnior, citado como sócio das empresas usadas como intermediárias financeiras, negou a sociedade e explicou que emitia notas a pedido de Antunes, sem ter competência para checar se os serviços eram realmente prestados.
Ele relatou que, segundo Antunes, as empresas prestavam “consultoria técnica para as associações de aposentados”. Apesar das negativas, Milton Júnior não apresentou documentos que comprovassem sua versão, o que gerou reclamações de alguns parlamentares.
Fluxo financeiro e atuação
Questionado pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL) sobre o fluxo financeiro das empresas, Milton Júnior afirmou: “No período em que estive lá, algo muito próximo a uma média de R$ 10 milhões por mês”. Ele disse ter atuado como diretor financeiro por 14 meses e que só deixou o cargo após a operação da Polícia Federal.
Júnior contou que só percebeu o envolvimento em organização criminosa quando a PF realizou a operação. “O que eu via era via Metrópoles, via imprensa e os questionamentos que eu fiz ele [Antunes] negou todos. A mim dizia que não fazia nada de irregular”, relatou. Ele afirmou ainda que nunca pegou em dinheiro vivo, nunca presenciou políticos em contato com Antunes e nunca entrou no prédio do Ministério da Previdência Social.
O contrato de Milton Júnior com o Careca do INSS era de R$ 60 mil por mês, segundo o depoente, que também declarou nunca ter recebido dividendos das empresas. Sua atuação, conforme relatou, limitava-se à área financeira, sem envolvimento direto com as operações investigadas.
Apesar de negar qualquer sociedade, a ausência de documentos comprobatórios foi motivo de insatisfação entre alguns parlamentares presentes na CPMI. O caso segue em investigação, com foco no papel das empresas intermediárias no desvio de recursos de aposentados e pensionistas, e na real extensão da participação de Milton Júnior no esquema.