A Polícia Federal apreendeu 14 veículos de luxo avaliados em R$ 6,3 milhões, ligados a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A lista detalhada foi enviada à CPMI do INSS após solicitação do deputado Duarte Jr (PSB-MA).
Os valores dos veículos foram calculados com base na tabela FIPE. Antunes, apontado como articulador de fraudes bilionárias no INSS, prestará depoimento à comissão nesta quinta-feira (25).
Detalhes dos bens apreendidos
Segundo informações repassadas pela Polícia Federal à CPMI do INSS, os 14 veículos apreendidos estão avaliados em um total de R$ 6,3 milhões, conforme a tabela FIPE. A apreensão ocorreu em diferentes datas: em 23 de abril de 2025, foram recolhidos cinco carros, incluindo modelos como Audi A3 SB Híbrido, Volkswagen Polo Comfortline TSI, Audi RS5 SPB 2.9 TFSI, Porsche Taycan Turbo S Elétrica e BMW X1 S20i M Sport. Em 20 de maio de 2025, outros cinco veículos foram apreendidos, entre eles Porsche 911 Carrera GTS CA, BMW M3 Competition, BMW M135i Xdrive, Porsche Panamera 4S Híbrido e Land Rover Velar P340 HSE R-DYN. Já em 12 de setembro de 2025, foi a vez do Porsche Cayenne S Coupe.
Além dos automóveis, também foram apreendidas três motos: BMW S 1000 RR, Suzuki Hayabuza GSX 1300 e Triumph Tiger 1200 XCA, todas de alto valor de mercado.
Depoimento à CPMI
Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, deverá prestar depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito nesta quinta-feira (25), conforme confirmado pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG). A oitiva foi adiada após acordo com o Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou a participação de Antunes facultativa. O presidente da CPMI ironizou o recuo de Antunes na semana anterior e explicou que a transferência da data visa garantir tempo para perguntas dos parlamentares.
Investigação e papel no esquema
De acordo com a Polícia Federal, Antunes é considerado um dos principais articuladores de um esquema que desviou bilhões de reais do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Ele foi preso na sexta-feira (12) sob suspeita de pagar propina a servidores do órgão para obter dados de aposentados e pensionistas, repassar a entidades e viabilizar descontos ilegais.
As investigações apontam que associações cadastravam pessoas sem autorização, utilizando assinaturas falsas para descontar mensalidades dos benefícios do INSS. A PF identificou que Antunes transferiu R$ 9,3 milhões para pessoas ligadas a servidores do INSS entre 2023 e 2024.
Antunes está detido na superintendência da Polícia Federal em Brasília. Sua defesa havia comunicado que ele pretendia usar o depoimento na CPMI para se defender das acusações, mas ele desistiu de comparecer na semana anterior. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, decidiu que a presença de Antunes na comissão seria opcional.