O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu nesta quinta-feira (11) a votação que condena o ex-presidente Jair Bolsonaro por envolvimento em uma trama golpista. A decisão, que inclui outros sete réus, repercutiu fortemente na imprensa internacional. A sentença final está prevista para sexta-feira (12).
Bolsonaro, em prisão domiciliar desde agosto, nega envolvimento e não participou das sessões por questões de saúde. O caso é considerado histórico e pode resultar em até 40 anos de prisão para o ex-presidente.
Repercussão internacional
A condenação de Bolsonaro pelo STF foi amplamente noticiada por veículos estrangeiros. O Clarín, da Argentina, classificou o julgamento como “histórico” e destacou que o ex-presidente pode pegar até 40 anos de prisão, mencionando o voto divergente do ministro Luiz Fux, que alertou contra um julgamento ‘político’. O jornal também lembrou que Bolsonaro está em prisão domiciliar e se ausentou das sessões por motivos de saúde.
A agência Reuters afirmou que Bolsonaro foi julgado por planejar um golpe após perder a eleição de 2022, tornando-se o primeiro ex-presidente do país condenado por atentado à democracia. A agência ressaltou que o voto de Fux trouxe alívio a apoiadores e pode abrir caminho para contestações. A Reuters comparou o caso a outros líderes de extrema direita, como Marine Le Pen e Rodrigo Duterte.
O The Guardian destacou que Bolsonaro pode enfrentar décadas de prisão por liderar a conspiração, citando a ministra Cármen Lúcia, que denunciou a tentativa de “semear a semente maligna da antidemocracia” no Brasil. O jornal também mencionou o voto de Fux, que defendeu a absolvição do ex-presidente.
Segundo o Washington Post, parte da sociedade brasileira espera que a condenação represente um ponto de virada após várias tentativas de golpe. O jornal informou que os advogados devem recorrer, alegando falta de provas concretas.
O Wall Street Journal afirmou que a decisão pode inflamar a disputa entre Donald Trump e Lula, ressaltando que o julgamento sela a “queda dramática” de Bolsonaro e seus aliados. O jornal também citou possíveis reações negativas da Casa Branca.
Desdobramentos e contexto histórico
A Bloomberg destacou que Bolsonaro é o primeiro ex-presidente brasileiro condenado por tentativa de golpe, ressaltando que ele acusa o STF de perseguição política. A agência mencionou a possibilidade de apresentação de embargos de declaração pela defesa e citou um projeto de lei de anistia em discussão no Congresso, mas com pouco apoio no Senado.
O The Economist relembrou uma fala de Bolsonaro de 2022, na qual ele dizia que não seria preso se perdesse as eleições, e afirmou que o julgamento mostrou o contrário. O veículo contextualizou a condenação como histórica, mencionando os golpes sofridos pelo Brasil desde 1822 e a ditadura militar de 1964 a 1985.
O El País avaliou que o Brasil deu “um passo importante contra a impunidade” e citou a pressão internacional sobre a corte. O jornal destacou que o julgamento é o mais significativo dos últimos anos e que o voto decisivo foi dado pela única mulher no STF.
A BBC explicou que a maioria para condenação se formou após três dos cinco juízes considerarem Bolsonaro culpado de liderar a conspiração para mantê-lo no poder após as eleições de 2022. Segundo a BBC, o plano não obteve apoio militar suficiente e culminou na invasão de prédios do governo em 8 de janeiro de 2023.